sábado, 31 de janeiro de 2026

horizonte oculto

 

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uma janela inexorável olha

para outra janela de persiana abaixada...

e existe, no alto, uma porta

que jamais conversa com outra porta


ai de mim que,

debaixo do cobertor,

reclamo do intermediário

que dá bom dia por mim!


- zé, diga pro 12 que ele amassou a lateral do meu pegout!

- vou olhar no replay, doutor!

- pra que, foi ele e cabou!

- vê só, o seu vizinho do 27, não tinha que estar no segundo-subsolo, já que a vaga dele é no primeiro… às 22:45 ele fez uma manobra arriscada…

(não me desculpo, não é do feitio de ninguém da minha laia)

- dê seu jeito ou processo o condominio!


apenas advogados garantem

que causas sejam lembradas:

vitória ou vingança - quem perde, perde

quem ganha jogou dinheiro fora

e recebe do volta indiferença - doença mortal

produzida por uma bactéria

que caiu na Terra, alojada num meteoro

e criou a ilusão de que a gente

nunca jamais deve conhecer o horizonte…


 

sábado, 24 de janeiro de 2026

qual é o teu céu?

 

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será que o cachorro pensa,

que quando morre

vai pro céu dos cachorros?


e as gaivotas e as cigarras,

os bem-te-vis, os gaviões, os urubus...?


e os pernilongos - não sei se sonham -

será que vão para algum céu?


de minha parte quero ir pro céu da poesia

onde as coisas simples são sublimes


e eu continue a olhar a mesma tela

desta vista que tenho diante dos meus olhos

nesta Garça Torta que é sempre mar...


meu melhor sonho de paraíso

é transitar

e lembrar apenas

da última encarnação


 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Meu pai é um animal

 

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Até metade da minha infância me sentia igualzinha meu pai. Tinha ele muito pelo sobre o corpo e adorava exibir suas mãos grandonas e unhas grandes e envergadas. Era muito mais alto, o meu pai, maior que todos os outros pais que eu conhecia. Um gigante de nariz enorme, por onde fungava mais alto que som de carro de gente sem gosto. Acreditei que um dia, quando fosse maior – tinha eu uns 6 anos da época em que consegui vê-lo por inteiro - seria igual a ele, com a mãozorra, capaz de enchê-la com um coco, uma bola de basquete ou uma jaca e meter medo em todos à sua volta.

Um dia, meu pai perdeu o emprego, teve que gastar o pouco dinheiro que ainda tinha na poupança e começou a andar pela casa chutando a mesa, as cadeiras, dando murro na geladeira, no fogão, nas paredesTeve um dia que deu um murro tão forte na televisão que sobrou pedaço de vidro, plástico e negocinhos eletrônicos por todo a casa. Minha mãe me puxou pelo braço e trancou a gente no quarto.

No dia seguinte, meu pai tomou o café como se nada tivesse acontecido. Repousou sua mãozona sobre minha cabeça e pediu mil desculpas pelo susto. Ri pra ele um tanto desconfiada e fui pra escola. Minha mãe me contou depois que ele tinha saído para procurar emprego.

Eu estava dormindo quando ele chegou. Bêbado. Foi pra cima da minha mãe e jogou sobre ela toda culpa do mundo, a cobriu com todos os impropérios que conhecia, disse que ia embora, que não servia pra nada, que era o ser humano pior do mundo, que nós estariamos melhor sem ele… Minha mãe chorou e pediu que tivesse calma e pensasse no dia de amanhã, no meu futuro... Ele ficou mais brabo ainda, disse que ela não sabia de nada, que nunca o amou, que casara com ele por puro interesse e que agora tudo seria diferente… O choro da minha mãe aumentou e foi aí que eu levantei e fiquei atrás da cortina que separava meu quarto da sala e pedi a deus que mudasse o rumo daquela conversa, que desse ao meu pai sabedoria suficiente para enfrentar o momento ruim pelo qual estava passando e não nos deixasse no desamparo.

Não sei explicar como aconteceu. Parecia que algo ou alguém apertara algum botão no fundo deste infinito universo e transformado o meu pai num bicho, não um bicho comum: um bicho-fera. Sem mais nem porquê, empurrou minha mãe contra a parede e começou a sufocá-la. Desesperada, pulei a janela lateral a gritar por ajuda. A vizinhança chegou a tempo de arrancar os dentes do meu pai da jugular da minha mãe.

Hoje é dia de visita ao zoológico. Seis anos faço isto toda sexta-feira. Olho sempre para a placa que avisa que a gente não deve alimentar os animais. Por compaixão, desobedeço. Ao atirar na sua direção um pacote de amendoim e uma maça vermelhinha, cruzo com aqueles olhos amarelados, pedintes e lacrimosos por entre as grossas barras de ferro. Ele grunhe... Parece rir. Empalideço e dou um passo atrás.




sábado, 10 de janeiro de 2026

família

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família:

pai, mãe e filhos –

balela

comigo sempre foi mãe e dois filhos -

pai era um vocábulo inexistente

um fantasma


eventuais candidatos

não superavam

aquilo que mãe cumpria


e de mãe conheci avô

igual a todos os pais que existiam

com uma diferença: sabia contar histórias

possuia anseio poético -

sobrevivente pobre, humanidade frágil,

desejo louco de beleza,

transcendência,

apesar da máscara...


mãe contava -

pra minha indignação -

que sofrera horrores

em suas mãos severas, arbitrárias, injustas...

amava e odiava avô


mãe fundou um possível

a partir de cascos, suas falhas

reescreveu uma história -

bastou-me.


 

sábado, 3 de janeiro de 2026

a xícara vazia

 

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ouvi de um poeta

que a vida flui que nem um rio

de modo irregular, inesperado

alisando pedras

se torcendo em curvas

desviando-se

das margens que o oprimem

- penso na vida, cravou

que nem fosse um rio

a enfrentar incertezas e mistério


mas aí lembrei de outro poeta

que disse "tudo começa no pensamento -

ficção de onde começa alguma coisa

porque nada começa, tudo continua"


e arrisquei: o rio tem vontade, poeta

ele pensa ou apenas continua?


o poeta esvazia a xícara

e encerra a estrofe

- os antigos chineses

ansiavam estar de acordo

com a ordem universal

daí não pensarem o rio

pensavam o percurso...


 

sábado, 27 de dezembro de 2025

ressurreição da manhã

 

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hoje acordei em busca de conselho

e a lembrança de um encontro

me levou de imediato

a uma varanda ao luar

e àquele amor resistência

repetido por dias, por horas

todo instante… ah,

repetiria os beijos, as carícias

para que a guerra ficasse longe de mim...

e escrevi e pintei paisagens

e tirei uma foto do mar diante da janela

e lembrei doutro dia em que pintei o sete

e tomei um porre

e fiquei louco

de amor

de tesão

tanto que a poesia construiu em mim

essa virtude

e então

morri

que nem se dorme

antes de ouvir este conselho

e jamais esqueci

a ressurreição da manhã


 

sábado, 20 de dezembro de 2025

ninho

 

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tudo na vida cessa

a chuva, o frio, a sorte

até o lamento da morte

a gente esquece e passa

 

fica somente o ninho

feito de jeito e arte

pra ser abrigo e parte

da vida dum passarinho


 

sábado, 13 de dezembro de 2025

infância

 

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a criança sabia, sem saber

que o desafio da alegria

era esquecer

a melancolia, a tristeza

e viver

capitão da rua,

carrinho de rolimã,

asfalto por oceano

na ladeira, íngreme e grave...


(os apressados e distraídos adultos

com a inveja por fardo

fugiam gigantes

da fortuna de ser pleno)

 

joelhos ralados por medalhas

ranger das rodas, hino de guerra,

meu mundo era a rua

e o tempo

dolorida e doce felicidade


 

sábado, 6 de dezembro de 2025

alegria do futuro

 

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foi "amor à primeira vista"...

logo ele estava a ler jornal

e ela a cuidar da casa


os filhos cresceram

e quanto tiveram idade

o amor repetiu o rito


refugiou todos a casa

ele fechado no jornal

e ela a tecer crochê


outras crianças vieram

ele abusara de ler jornal

enquanto ela pregava botões


o espaço encurtou

vovô, contrariado,

passou a cruzar palavras…


e vovó, liberta,

todos os botões pregados,

começou a ser alegria…


mas faltava rir amanhã



sábado, 29 de novembro de 2025

a verdadeira história que conto e enfeito

 

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oh minha tia

tão velhinha, caidinha

já nem lembra mais

quem sou



minha tia ri

ainda é dona de muitas estórias

que só conta

se a gente ficar queitinho

e comer todos os docinhos

que ela sonha

colocar na mesa



minha tia

sempre foi antagonista

da minha mãe



para qualquer história

duas versões



jamais concordaram



mainha e titia

partiram:



jamais saberei

o desfecho verdadeiro

desta história

que teimo em contar:

era uma vez um limão

que encontrou um jeito

de fazer várias limonadas


 

sábado, 22 de novembro de 2025

cinema mudo

 

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o ônibus rodava

o suor coletivo machucava o ar

a paisagem monótona desfilava pela janela impassível

postes, cercas, montes

um bovino feito estátua

um casebre abandonado no centro de uma pintura naif

campo, pedras, árvores solitárias e

ausências...


os olhos do viajante

perambulavam pra lá e pra cá

nada em particular retinha suas retinas

mas no fundo da alma o perseguia a pergunta:

- de que conto saiu esse filme sem ação

e onde anda a cidade mais próxima

haverá ali algo que surpreenda meus olhos?


desanimado

mirou o céu azul salpicado de nuvens

o sol ardia

tudo era comum

familiar


ainda não era tarde

mas o longe parecia mais distante

e não havia hora para chegar

porque qualquer lugar seria o lugar

igual a todos que conhecia


era apenas uma viagem de recreio

melhor dormir e talvez sonhar.


 

sábado, 15 de novembro de 2025

o rugido do silêncio

 

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brasil dói

soc, ai, pow, grrr, aiaiai, crash, zapt

bang, aaaiii, plof, crack, uiiii, paf

splat, ugh, bum, cabum

siiiirene, ratátátá

snif, snif

buá, buááá...

e quanto mais se explica

mais dói

esse silêncio -

gigantesco ruído



sábado, 8 de novembro de 2025

Quando foi a última vez que você?...

 

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- Tomou um banho de mar

- Sentou debaixo de uma cachoeira

- Conversou com um estranho

- Andou descalço na grama

- Deitou na areia do mar

- Escreveu um poema para um filho

- Prestou atenção no canto dos pássaros

- Contemplou o luar

- Bateu papo com uma criança

- Conversou com uma flor

- Cantarolou uma canção no banho

- Apreciou a alvorada

- Aplaudiu um crespúsculo

- Abraçou uma árvore

- Ficou tocado ao ler um livro

- Sentiu o cheiro de terra molhada

- Chorou na exibição de um filme

- Sentou sob a sombra de uma árvore

- Olhou para céu numa noite estrelada

- Fez perguntas e não aguardou respostas...

- Quando foi a última vez que você olhou à sua volta, não criticou nem corrigiu nada, pelo contrário, sentiu-se familiar a tudo e riu um sorriso tímido, mesmo que de canto de boca para ninguém estranhar a sua felicidade e guardar pra si a sensação de estar de bem com o universo, com o mundo e consigo mesmo?


 

sábado, 1 de novembro de 2025

Adoro uma encrenca... dramatúrgica

 

 Edipo e a Esfinge, Gustave Moreau, 1864

 

Quem não gosta de ler um conto, romance, assistir a peça de teatro, um filme ou capítulo de série, cujo roteiro apresenta uma boa encrenca a ser resolvida?

Considero o momento mais prazeroso de uma obra literária ou cinematográfica quando vejo o protagonista envolvido numa situação conflituosa aparentemente sem solução - beco sem saída, poço sem fundo.

É aqui onde me sinto chamado a participar da obra. É aqui onde sou chamado à razão pois, após ter sido envolvido emocionalmente, preciso pensar numa saída.

E quando meu raciocínio se encontra com o raciocínio do autor, sou invadido pela sensação de que minha criatividade e inteligência me capacita a enfrentar os piores reveses.

Sinto que nestes momentos de fruição artística me torno apto para, sob qualquer ameaça, ser capaz de sobreviver e sair da encrenca, um pouco mais potente, pronto para novos desafios.

Mas esta sacada levou tempo para ser maturada. Ainda sou do tempo onde se acreditava no "deus ex machina", na solução que surgia, não sabia bem de onde, e que acabava por atribuir à intervenção divina.

Cresci, aprendi um pouco mais sobre a natureza humana. Ainda hoje observo obras com soluções aleatórias, ao acaso, mágicas... e tem aquelas que recorrem à soluções ideológicas... mas aprendi que a obra de arte não deve mais refletir apenas um aspecto do ser humano, mas a sua complexidade.

Ser complexo, para mim, significa convocar o outro para participar da criação, ativamente, visto que a obra de arte não é, apenas um produto da inquietação individual mas resultado da consciência coletiva que nos projeta além do eu.

Embora existam autores, os verdadeiros encrenqueiros, que insistem no seu ponto de vista e que impede a participação na obra além do que eles próprios propõem. O que reforça a ideia de que o mistério é o que existe de mais atraente.


 

sábado, 25 de outubro de 2025

Madame Nanã



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Em uma Ilhéus envelhecida no tempo a sofrer já de certo banzo, um burburinho corria solto na Avenida Itabuna. A fachada discreta de um bangalô, pintado de verde-oliva, escondia o que a “seu ninguém” se revelava. Pertencia a Madame Nanã, cuja voz mansa e firme comandava um segredo que poucos conheciam.

Quem tomava conta da casa era a irmã, baixinha de riso fácil e gaitada sincera. No quintal, uma fonte de água salgada decorada com uma escultura de sereia. Os dois filhos de Nanã, que estudavam em Itabuna e vinham passar férias com a tia, entre uma traquinagem e outra – por exemplo, me jogar dentro de um caixote cheio de carvão para que perdesse um pouco da minha alvura e alcançasse a morenidade que nem eles, me contaram que Iemanjá vinha ali sentar-se para pentear os cabelos. Numa noite em que tive a felicidade de dormir por lá, um tanto assustado com os espelhos que adornavam as laterais de uma penteadeira que ficava aos pés da cama e multiplicavam o meu rosto de menino, fiquei deitado segurando o sono. Quando o relógio da sala bateu meia noite, corri até a fechadura da porta que levava ao quintal para comprovar a história que tanto me fascinava. Adormeci frustrado: Iemanjá não apareceu. Repeti o gesto mais umas duas outras vezes mas, para minha decepção, não pude constatar a veracidade da história. Mas o que posso afirmar é que, adiante da fonte, havia uma fileira de quartinhos, onde perfumadas pelos incensos de jasmim, neófitas, futuras iaôs, “faziam a cabeça”.

Jamais diria que Madame Nanã usava essa meninas para satisfazer os caprichos dos coronéis da região mas o que todos sabiam era que ela comandava, na década de 50, um cabaré no centro da cidade, pertinho da Catedral de São Jorge.

A morena Nanã havia chegado em Ilhéus fugindo da miséria do sertão sergipano, trazendo consigo a força de seus orixás. Ao contrário do que muitos pensavam, o dinheiro do negócio do cabaré não era para luxo pessoal, mas sim para sustentar a tradição e manter os roncós no quintal mágico do bangalô na Avenida Itabuna que servia como metáfora da própria vida da cidade: de um lado, a fachada de uma moralidade rígida, católica; do outro, o segredo da noite, a vida de candomblé, a riqueza das crenças de matriz africana que bem alimentam a alma da dengosa Bahia.

A história de Nanã, seu cabaré e a casa na Avenida Itabuna permanecem como uma lenda na memória de Ilhéus. Não há registros oficiais, apenas o sussurro de uma vaga e longínqua lembrança. Muitos acreditam que a estória dela e da casa que abrigava futuras mães de santo seja apenas folclore, um conto popular construído por gente comum que a quiseram rivalizar com a Maria Machadão e seu Bataclan, imortalizados por Jorge Amado em Gabriela, Cravo e Canela.

No final, Nanã parece morar apenas em mim. Parece que só eu sei que ela foi real. A visitei certa feita. Já quase cega, encontrei-a sentada na varanda do bangalô - agora tomado pelo mato, distiorado, cuja pintura parecia em pânico diante da decadência. Não entrei nem pedi pra visitar a fonte. Havia levado vaso com flores e uma caixa de chocolates. Demorei pouco. Ela não conseguiu lembrar quem eu era. Tirei uma foto ao seu lado mas, infelizmente, não sei onde foi parar este registro.

E assim, desta lembrança de Ilhéus tudo parece que foi engolido pelas areias movediças do tempo e onde existiu um dia uma profusão de sentidos, signos e significados - lá donde o visível e invisível, o sagrado e o profano, o poético e o prosaico andavam de mãos dadas, restaram apenas ruínas e o perfume irreconhecível dos frutos da terra.




sábado, 18 de outubro de 2025

inocência e ignorância

 

A Morte de Sócrates, Jacques-Louis David, 1787



quando era menino temia o homem do saco; hoje temo o comunismo (ambos comem criancinhas).


na infância, o bicho-papão habitava minha imaginação; hoje seu rosto ilustra manchetes de telejornais.


sentia medo do escuro a criança que’u era; hoje temo o brilho das bombas às 5 horas da tarde.


sonhava com fadas e heróis, finais felizes para sempre; hoje na ansia de seguir os pés me rumam para trás.


e encontro mainha, vestido de chita, dedos de cebola - pai, filho, espirito santo...


mainha passou, a polícia chegou; envergonhado, me refugia o desencanto.


a ideia que assombra é a mesma que liberta; a pedra que atiro noutro é a mesma que me acerta. 



sábado, 11 de outubro de 2025

crônica de um tempo perdido

 

Léon Bazille Perrault, O combate das crianças, 1889



3 coisas que não consigo provar:

inexistência de deus

imortalidade da alma

vida após a morte


no entanto, meu vizinho consegue,

com o auxilio da força bruta,

enfiar pela minha goela abaixo

seus argumentos de fé


para evitar

que atinja o limite da cólera

e me machuque ainda mais

digo sim!

existe uma divindade absoluta

em um reino metafísico

acima das nuvens

que me ama


(e?)


se for um bom menino

quando morrer

irei passar a eternidade

a contemplar sua glória


(e?)


porém, se pisar na bola

queimarei para sempre

no fogo de um inferno

exclusivo, amém?


recolheu suas armas

fez sinal que estava de olho em mim

e foi almoçar em família,

ele e seu vaso biônico


mostrei-lhe o dedo

dei-lhe banana

apresentei-lhe meus culhões

e acabei por descobrir

que não existe reencarnação:


o velho Buda, liberto

acaba de sussurrar ao meu ouvido

que se não for aqui

será agora


corri para assistir,

no streaming mais próximo,

ao tiroteio no ok curral