sábado, 22 de agosto de 2026

O Congresso


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Falo de uma noitada a convite de um amigão meu (amigão mesmo), regada a lindas garotas belamente interesseiras e superfaturadas. Ali degustei uísque ao preço de 100 mil dólares a dose e devorei fatias de filé de libélula pré-históricas, importadas das zonas úmidas das Trufeiras do Basyugan na longínqua Sibéria, banhadas de ouro 24 quilates.

Esse amigo, que considero um irmão, infelizmente, nasceu filho de um nababo turco-malaio. Ainda nos cueiros decidiu usar e abusar do hobby de jogar dinheiro fora como uma forma de combater os pecados familiares e assim se livrar da maldição que assola sua genealogia desde tempos imemoriais, quando seus antepassados acumulavam fortuna através de guerras, saques e pesados impostos sobre os ombros de uns pobretões ingênuos fanatizados pelo medo do bicho papão.

Dessa noite, lembro ainda de me jogarem numa luxuosa alcova, mais bêbado que um gambá (se bem que nunca vi nenhum gambá bêbado, embora tenha visto na infância um peru de natal cambaleando pelo cozinha). Ali penetrei um universo onírico e para meu gozo despertei na imensidão do Salão Nobre do Resort & Spa Quinta da Impunidade, localizado numa ilha privada, em águas territoriais internacionais. Diligentes secretárias exigiam, com seus cantos de sereias, que eu assinasse uma papelada. Reparei que acima das nossas cabeças pendia um imenso cartaz que galvanizou minha atenção. Em letras garrafais anunciava-se um Congresso Anual dos Canalhas a ser realizado naquela madrugada. Uma voz de veludo adocicada vinda sabe-se lá de onde, articulada por uma dicção impecavelmente shakesperiana, fazia ressoar a locução: “antes que o povo chore o fim da festa, os primeiros serão celebrados”. Sem mais delongas, rubriquei as páginas, do que presumi ser um contrato, paguei as taxas e emolumentos correspondentes, recebi a chave do meu quarto, uma pasta contendo o material descritivo do congresso além de um dispositivo de votação à prova de fraude. Senti-me pleno na irresponsabilidade dos nobres franceses antes da guilhotina. 

Na primeira página, a composição da mesa diretora: um oportunista hereditário presidiria os trabalhos, acessorado por um pelotão de juristas de aluguel, uma mulher de negócios especialista em trabalhos voluntários e um publicitário encarregado de manter a sujeita da porta pra fora. 

Afogado em baba que escorria da minha boca aberta e caía sobre meu queixo caído, não consegui impedir meus dedos de virar a página e ler as presenças confirmadas: políticos, empresários, influenciadores digitais, bloqueiros de fofocas, velhos amigos de aguas passada e alguns inocentes úteis.

Meus olhos pesaram, pensei em parar, mas o livreto me agarrou e impôs às minhas retinas um mundo inescapável – a pauta. Sem rodeios ia direto ao ponto, ou seja a Institucionalização da Vantagem Própria às Custas da Boa-Fé Alheia. Definitivamente não era um evento de maldade pura, era sobretudo, um encontro para todo mundo garantir que a espada de Dâmocles não lhes caisse sobre a cabeça.

Remexi os glúteos no colchão recheado de penas de ganso zarolhos oriundos das terras altas suíças, envolto em lençóis fabricados em tendas nômades no deserto do Saara por esposas fidelíssimas, não resisti à sedução de ler um a um, pausadamente, os itens para discussão, dentre eles a Arte da Terceirização da Culpa; Técnicas avançadas de como apontar o dedo antes de ser delatado; Monetização da Narrativa e Prática de uma Honesta Canalhice; Como manter as aparências de virtude pública enquanto se opera nos bastidores, por baixo dos panos; Proclamação da Anistia Perpétua para todo e qualquer crime que venha a ser cometido por puro erro de cálculo; Mecanismos jurídicos e retóricos para perdoar os próprios desvios; Como criar regras que blindem o topo da pirâmide contra consequências reais; Engenharia de Acordos Descartáveis; Alianças temporárias baseadas estritamente na conveniência do momento; Estratégias de traição; e, a joia da coroa, um rascunho da redação do Manifesto do Cinismo – uma carta de intenções que deveria ser votada e aprovada ao final do congresso nos seguintes termos: “Nós, os arquitetos da conveniência e guardiões da hipocrisia, reunidos sob a égide do pragmatismo absoluto, declaramos o fim da culpa. A virtude rígida fracassou. O cinismo é, portanto, a única ferramenta sobrevivente para a navegação social eficiente. Fica estabelecida a supremacia da aparência sobre a essência. Afinal, o cinismo não é um desvio de caráter, mas um mecanismo de defesa. Quem exige a pureza do outro é o verdadeiro culpado pela decepção que sofrerá”. 

E finalizava enfatizando que a verdade é uma construção adaptável, que a realidade não importa, que existe uma moralidade de ocasião, que a ética é um adorno estético e que a caridade e a solidariedade são desperdício de capital político.

Fechei os olhos e deixei-me invadir pelas palavras do nosso estimado grão-mestre na abertura o conclave: “Senhoras, senhores e…. Associados de ocasião. Sejam bem-vindos ao evento onde a máscara cai para que possamos, finalmente, ajustá-la melhor. Não se olhem com desconfiança; guardem o punhal na capa, pois hoje o interesse de todos nós é exatamente o mesmo: a sobrevivência no topo. A ingenuidade construiu este auditório, mas foi a nossa astúcia que financiou a decoração. Enquanto o mundo exterior se desgasta debatendo conceitos abstratos tais como "honra" e “virtude”, nós prosperamos na única moeda que jamais inflaciona: a conveniência. Não sintam culpa. A culpa é uma invenção dos fracos para tentar enjaular a sagacidade dos audaciosos. O que as ditas almas puras chamam de traição, nós chamamos de "recalcular a rota". Iniciamos os trabalhos com uma certeza inabalável: o maior erro do mundo nunca será o nosso. O maior erro do mundo é, e sempre será, de quem escolheu acreditar. A boa-fé é um convite ao banquete e nós somos os anfitriões. Ergam suas taças, declaro aberto o nosso congresso. Que vençam os mais rápidos na arte da delação oportuna”.

E pude ouvir o eco da sua confidência informal numa rodinha de pariceiros, antes do início dos trabalhos: “Um brinde ao nosso patrono, este ausente homenageado, que tem nos ensinado que não é necessário ser virtuoso, mas sim parecer virtuoso. Graças a ele, hoje operamos na luz do dia, aplaudidos pelas mesmas vítimas que financiam o nosso banquete. E já que ele está impedido de aparecer, por motivos óbvios, o troféu que lhe seria destinado resolvemos confiscar e leiloá-lo entre os membros da diretoria”. Lembro que rimos a bandeiras despregadas.



sábado, 15 de agosto de 2026

Três Poderes

 

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De um lado as contraditórias Forças do Progresso: comunistas, socialistas, trabalhistas, social-democratas, anarquistas, ecologistas, ateus, agnósticos, cidadãos de todos os credos e cores engajados na luta contra a desigualdade, a opressão, a discriminação, buscando afirmar, na prática, a regra de ouro: faça ao outro aquilo que desejas para ti.

Por outro lado, as Forças da Reação, apoiada por profissionais da violência, parte do judiciário e do ministério público ligados ao grande capital, mídia oligopolizada, seitas apocalípticas, oportunistas de todos os matizes, um monte de gente ressentida que dissemina ódio, desinformação, que enaltece a hegemonia de um estado fundamentalista nos costumes, liberal na economia e totalitário na política, sob a sombra de Ronald Reagan, Margareth Thatcher, Pinochet, Donald Trump, Darth Vader e a Estrela da Morte…

No meio disso tudo, entre os salvadores da pátria e os vendilhões do templo - o povo. E o que deseja o povo? Casa, comida, carro, encher um carrinho de supermercado uma vez por mês (todo mundo quer), computador, celular, televisão de plasma, internet de alta velocidade a preço camarada (o óbvio), viajar de avião, dinheirinho no banco para emergências, saúde e educação de qualidade, dignidade, cidadania, respeito, segurança (aí já é a revolução, né?), e viver o mais normal possível - de preferência com acesso garantido a tudo que tiver direito.

E assim, entre um poder que quer salvar o mundo e outro que o quer vender, o povo segue querendo o que é seu por direito. E tem gente que acha que isso é exigir demais.


 

sábado, 8 de agosto de 2026

geografia da dor

 

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o abacaxi se descasca

mas há outro disfarce

por baixo dessa máscara


a canalha projeta, isola aqui,

inunda ali com baraço e engano

e os filhos de deus louvam as migalhas

em troca de um gole de cachaça


vive-se assim:

entre tapas e bordoadas periféricas,

o esperto fura a fila -

vende o almoço

pra ver se consegue jantar



sábado, 1 de agosto de 2026

e no entanto respiro

 

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diga-me pleurôn,

porque sou o que sou?

se antes de mim, eu não existia,

o que me faz te perguntar isto

sabendo que logo estarei morto

apenas pó soprado no imenso deserto

esquecido do que fui, sonhei e fiz

neste curto espaço de tempo

em que acreditei que bastava

pensar para criar suposta realidade

onde nos debatemos uns nos outros

como cego, surdos e mudos

numa sala escura.


não, não me responda

não desejo pensar novas perguntas

e alcançar as mesmas respostas

de que a mim

me cabe um singular instante

um propósito além do imediatismo:

porque viver

é um truque de magia

indesmontável

aceitação daquilo

que jamais serei

ou conhecerei


 

sábado, 25 de julho de 2026

mais um

 

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quantos poemas foram escritos

até hoje?

poemas de amor, ciúme, dor...

poemas épicos, líricos, dramáticos

poemas-piadas, com ou sem rimas,

brincalhões, farristas, boêmios,

sacanas, satíricos, eróticos

poemas de protesto

metafísicos, religiosos, enigmáticos

sublimes...


escrever poemas

é saber que se tem todo o vocabulário humano

à disposição e escolher a síntese

de um dístico, de um hai-kai

de uma quadra ou de um soneto

ou simplesmente voar ao sabor do sentir-pensar

e alcançar a leveza de uma pena

deslizando sob a carícia de uma brisa

numa tarde de outono a exaltar a liberdade


escrever poemas é conseguir

alcançar o melhor de si

sem falar demais


 

sábado, 18 de julho de 2026

magestoso e miserável

 


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o ser humano é bacana

engenho é pouco...

e não falo da poesia

dos raciocínios lógicos

da imaginação...

mas daí a sermos

o centro de todas as coisas

nem DaVinci assinaria em baixo


e olha que Leonardo

foi um daqueles mestres

que usava tudos os recursos

para exaltar o que havia de humano

nesta peculiar

e solitária criação da natureza.


normalmente, eu não me acho nada

mas me sinto em boa companhia

nem um pouco sufocado

diante de uma obra artística

ou memoriais que me descrevem os cálculos

na construção de uma hidroelétrica;

que colocam um satélite em órbita;

criam uma máquina que enxergue o átomo;

encontram a cura para um mal incurável;

ou nos fazem viver imersos num mundo virtual

- esse nosso paraíso ansiosamente recriado


mas choca-me,

na mesma proporção,

como pode alguém tão avançado

consentir que haja fome, guerras... miséria:

resultado de políticas estupidas

conduzidas por humanos estupidos?


sou imperfeito

e nessa minha imperfeição

sigo o mantra

de mesmo sendo pouco

sou o melhor de mim

em constante movimento


 

sábado, 11 de julho de 2026

em tempos de copa

 

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um velho poeta de boteco

amigo meu disse:

não cuspo diamantes

tampouco falo bosta,

ao que refleti

existem palavras

que fazem bem esse meio de campo

e expressões que conhecem o caminho do gol”

 

e o velho poeta de boteco

lança em profundidade a noite:

quando foi a última vez

que trocaste uma ideia

jogaste conversa fora

falaste groselha

desenhaste o vento

esculpiste o silêncio

inventaste estrelas

choraste o mar…?


o bar estava cheio,

gritos, buzinas… gol!



 

sábado, 4 de julho de 2026

bexigas coloridas

 

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ando...

adiante uma estrada

curvas, obstáculos,

subidas, descidas

ando

mas não me movo


olho para as margens:

o mundo passa

se sucedem fatos

eras se sucedem

no interior

de aparelhos televisivos


inútil andar

vejo tudo fora/dentro

de mim

no palco de um teatro

ocupado por poltronas vazias


espectadores invisíveis

suspiram e aplaudem

cada tentativa minha

de movimento... sinto

que eles sentem meu esforço


tento alcançá-los

mas bexigas coloridas

(houve/haveria uma festa?)

dançam entre meus passos

pisoteio algumas

estouro outras…


não alcanço o desfecho

não finalizo o ato

desagradeço as palmas

e saio do teatro

- pela primeira vez me movo



 

sábado, 27 de junho de 2026

comércio de lágrimas

 

Grok


um erro, um desacerto

uma fatalidade, um desastre natural

uma perda irreparável

uma ofensa, uma pancada no ego

e lá vem solícita a tristeza

esticar-se na nossa rede…


logo a sugadora

(carrancuda de dentes serrilhados)

grita - quero um cafezinho

para esquentar meu peito

árido, habitado de rancor

e desemparo...


e o dia se faz noite,

enquanto o breu nos abraça

nos privando de uma réstia de luz

(alívio pro nosso coração travado),

ouvimos martelar

quase que a tocar

maternal

o nosso ombro

longínqua lucidez:

- porque há gente

que se alegra com a tristeza

e fatura alto

no comércio de lágrimas?


 

sábado, 20 de junho de 2026

Jeito Ariano de Ser

 

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Tenho memória de cachorro vingativo”.

 

Não troco meu oxente pelo ok de ninguém”.

 

Sempre que me vêm com estatísticas tentando provar que viajar de carro é perigoso porque as estradas são cheias de buracos, eu respondo: pior é de avião, que o buraco acompanha a gente”.

 

Se eu falar que Chimbinha é genial o que sobra pra Beethoven”?

 

Nunca ouvi Lady Gaga, tenho medo que seja contagioso”.

 

Uma mulher me perguntou: “Qual é o seu signo?”. Gêmeos, respondi. Então, ela sapecou: “Você sabia que as pessoas de Gêmeos têm duas caras?”. Não me abalei: “E a senhora acha que se eu tivesse duas caras usaria essa?”

 

A humanidade se divide em dois grupos, os que concordam comigo e os equivocados”.

 

Há duas raças de gente com as quais simpatizo: mentiroso e doido”.

 

O otimista é um tolo. O pessimista um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

 

Quem gosta de ler não morre só”.


 


 

sábado, 13 de junho de 2026

orelha flutuante

 

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ouço falarem das estrelas, galáxias, aglomerados

da radiação de fundo, velocidade da luz,

da gravidade, dos buracos brancos e negros

da matéria escura e do universo em expansão

ouço falarem de multi-universos

e também de um universo

onde sou o inverso de mim mesmo

ou até de um onde não me reconheço

nem sei quem sou

e de um onde não ouço nada

 

ouço falarem dos planetas,

da zona de conforto em torno de estrelas

da vida, da morte

ouço falarem dos minúsculos e pequenos animais,

dos grandes animais, de todos os que foram extintos

ou estão em fase de


ouço falarem de humanos,

seus engenhos, suas conquistas, seus fracassos

seus amores, dessabores, utopias, estupidez

ouço falarem de muitas teorias,

de filosofias, de religiões, de crenças, de lendas

de mitos, fábulas e civilizações…

ouço falarem de bactérias, vírus, amebas e protozoários

ouço falarem do mundo quântico,

do infinitamente pequeno

semelhante ao infinitamente grande


ouço falarem de poetas, dramaturgos,

pintores, escultores, dançarinos, músicos, cantores

de gente performática e seus dilemas morais

ouço falarem de geopolítica

de guerras comerciais

de imperialismo e hegemonia

de um mundo multipolar

de ambições políticas e interesses pessoais


ouço falarem de oferta, demanda,

abundância e escassez

de liberdade, igualdade e fraternidade

da fatalidade das coisas, de destino inexorável,

do é assim porque é assim

do que foi sempre será


ouço falarem de mentiras, farsas e vilanias

ouço falarem do horror, da tortura, do terror,

do choro dos inocentes e das gargalhadas dos farsantes

ouço falarem do apocalipse, da salvação

do fim do mundo e do reinado da justiça

e do cumprimento de uma profecia


- ouço falarem que tudo se transforma

que da poeira das estrelas nada se perde...


mas, e quanto a mim

o que sou diante de tudo isto,

serei para sempre

uma orelha flutuante – no vazio?


 


sábado, 6 de junho de 2026

Alguns motivos pelos quais Queen Beth II morreu saudável aos 96 anos

 

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Nunca lavou, estendeu ou passou roupa.

Nunca cozinhou, lavou louça ou levou o lixo pra fora.

Nunca fez compra em mercado, pagou um boleto ou arriscou a sorte na loteria.

Nunca precisou pregar botões, fazer artesanato para complementar a renda ou pedir dinheiro emprestado.

Nunca teve que pechinchar pelo preço das coisas, fazer das tripas coração ou engolir uma ofensa pra não perder o emprego.

Nunca foi a um posto de saúde, fez faxina pesada no fim de semana ou carregou embrulhos e sacolas.

Nunca limpou banheiro, dormiu mais de 3 horas por noite ou encarou coletivo em horário de pico.

Nunca teve que se preocupar se o salário daria para chegar no fim do mês, atrasou o pagamento de alguma prestação ou reclamou da falta d’água.

Nunca teve que pagar aluguel, limpar cocô de criança ou enfrentar o chefe pela enésima vez.

Nunca teve que ligar para um call center e repetir o CPF sete vezes, fazer conta de cabeça no supermercado enquanto o filho pedia iogurte ou sorriu para não parecer mal-educada quando queria gritar.

Nunca fez sopa com um ovo porque era só o que tinha na geladeira, precisou fingir que estava feliz no aniversário que ninguém lembrou ou ouviu “cala a boca, mulher” depois de dar sua opinião.


 

sábado, 30 de maio de 2026

mudança de paradigma

 

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não, não me venham falar de sereias

monstro do lago ness, papai noel

loira do banheiro…

meu estoque de besteiras

saturou

distrações e sandices

estouraram

meu saco de risadas


chega de abuso,

minha ignorância anseia por sanidade

razão prática, silêncio instrutor e

que meu gesto fique melhor

antes que o próximo dilúvio acabe

com o mundo das coisas que valem a pena


aguardo a confirmação

da 5ª série no horário nobre da grade de humor

das televisões do mundo -

a ingenuidade e, principalmente,

a ausência de malícia

ocupará o lugar que lhe é próprio

 

e que os agentes policiais

nem senhoras protetoras da moral e dos bons costumes

parem de me julgar

mas aceito papear com os desconfiados de si mesmos

onde, brincando na chuva, rirei de mim


 


 

sábado, 23 de maio de 2026

O que é a vida?

 

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A vida é uma oportunidade que exige qualidade, não quantidade”. Sêneca


A vida é a atividade auto-organizada da alma em busca da felicidade”. Aristóteles


A vida é a expressão pura da ‘vontade de potência’ e superação”. Nietzsche


A vida é uma tela em branco onde a existência precede a essência”. Sartre


A vida é um pêndulo que oscila entre a dor e o tédio”. Schopenhauer


A vida é sonho”. Calderón de La Barca


A vida é uma revolta contínua contra a falta de sentido do universo”. Camus


A vida é uma viagem experimental feita voluntariamente pelo espírito”. Fernando Pessoa


A vida é um dever que trouxemos para fazer em casa”. Mário Quintana


A vida só é possível reinventada dia após dia”. Cecília Meireles


A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria”. Shakespeare


A vida é a beleza de ser um eterno aprendiz”. Gonzaguinha


A vida é comunhão de amor com Deus e serviço ao próximo”. Jesus Cristo


A vida é uma oportunidade de despertar da ilusão e superar o sofrimento”. Buda


A vida é o cultivo da harmonia social através da virtude individual”. Confúcio


A vida é uma prisão de bêbados”. Omar Khayyam


E aí, já formulaste a tua definição?