sábado, 4 de novembro de 2017

delírio matinal 5º dia


Cuerpos Celestes, Rufino Tamayo, 1946


quem
sabendo do seu fim
não desejaria um começo?


certa noite
quando olhava pro céu
a prescrutar meu rastro
acabei por desenhar meu rosto
na imensidão

e sonhei que nascia
naquela longínqua estrela… mas
um acidente de percurso
trouxe-me exilado
aqui
pra esse chão
a cultivar métodos, modos, invenções
um certo jeito de regresso
àquela origem
que desde sempre
desconheço

fácil
tão fácil seria chamá-la por um nome
que quase
por um pouco me perdia
no exato instante que emergia
apto a melhorar meus traços e minha caligrafia

e esse novo e estranho (re)começo
teria me levado ao limite do espanto
(onde o medo à negação nos obriga)
não fosse encontrar beleza
em navegar esse propósito
de, ao sonhar, se conserta


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