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sábado, 31 de janeiro de 2026

horizonte oculto

 

Google Gemini




uma janela inexorável olha

para outra janela de persiana abaixada...

e existe, no alto, uma porta

que jamais conversa com outra porta


ai de mim que,

debaixo do cobertor,

reclamo do intermediário

que dá bom dia por mim!


- zé, diga pro 12 que ele amassou a lateral do meu pegout!

- vou olhar no replay, doutor!

- pra que, foi ele e cabou!

- vê só, o seu vizinho do 27, não tinha que estar no segundo-subsolo, já que a vaga dele é no primeiro… às 22:45 ele fez uma manobra arriscada…

(não me desculpo, não é do feitio de ninguém da minha laia)

- dê seu jeito ou processo o condominio!


apenas advogados garantem

que causas sejam lembradas:

vitória ou vingança - quem perde, perde

quem ganha jogou dinheiro fora

e recebe do volta indiferença - doença mortal

produzida por uma bactéria

que caiu na Terra, alojada num meteoro

e criou a ilusão de que a gente

nunca jamais deve conhecer o horizonte…


 

sábado, 23 de setembro de 2023

bonito é nascer

 

Sol Nascente, Anton Prinner, 1944



luzes na cidade

transição: meia-noite

dois mundos em fricção


mortiços olhos buscam

o horizonte desde cá

coroado de ausências


pular a janela

correr rua afora

incomodar o silêncio…


distante o grito

tudo é vazio

tudo é lugar…


daí o retorno

cicatriz adoçada

eterna no punho


começar de novo

livre é a dor

e a graça do poema


meia-noite:

cidade acesa

tão bonito nascer


 

sábado, 28 de maio de 2022

instante 48

 

Caminhante sobre o mar de névoa, Caspar David Friedrich, 1818 
Releitura feita por Kim Dong-kyu, 2013




olho o horizonte:

infinito e nada

sou eu, atônito…


não fosse haver espanto

jamais perguntaria o que sou

para onde vou…


tem muito o que explicar

esse vazio… cada vez que dói


meio em paz com minha mente

distante de tudo que é familiar

me junto aquilo que desconheço

arranjo coragem

alcanço a liberdade plena

nas asas de borboletas virtuais



sábado, 23 de abril de 2022

hábito de mistério

 

Vertical-Horizontal I, Hedda Sterne, 1963




olho o horizonte…

apenas infinito e nada:

ambos sou eu

alheio


não fosse o oponente

tolher a passagem,

jamais perguntaria

pra onde vou ou o que sou…


tem muito o que explicar

esse vazio

cada vez que dói


uma, duas, “n” vezes

voltarei

a encarar o horizonte

preciso conhecer

tudo que desconheço