ouço falarem das estrelas, galáxias, aglomerados
da radiação de fundo, velocidade da luz,
da gravidade, dos buracos brancos e negros
da matéria escura e do universo em expansão
ouço falarem de multi-universos
e também de um universo
onde sou o inverso de mim mesmo
ou até de um onde não me reconheço
nem sei quem sou
e de um onde não ouço nada
ouço falarem dos planetas,
da zona de conforto em torno de estrelas
da vida, da morte
ouço falarem dos minúsculos e pequenos animais,
dos grandes animais, de todos os que foram extintos
ou estão em fase de
ouço falarem de humanos,
seus engenhos, suas conquistas, seus fracassos
seus amores, dessabores, utopias, estupidez
ouço falarem de muitas teorias,
de filosofias, de religiões, de crenças, de lendas
de mitos, fábulas e civilizações…
ouço falarem de bactérias, vírus, amebas e protozoários
ouço falarem do mundo quântico,
do infinitamente pequeno
semelhante ao infinitamente grande
ouço falarem de poetas, dramaturgos,
pintores, escultores, dançarinos, músicos, cantores
de gente performática e seus dilemas morais
ouço falarem de geopolítica
de guerras comerciais
de imperialismo e hegemonia
de um mundo multipolar
de ambições políticas e interesses pessoais
ouço falarem de oferta, demanda,
abundância e escassez
de liberdade, igualdade e fraternidade
da fatalidade das coisas, de destino inexorável,
do é assim porque é assim
do que foi sempre será
ouço falarem de mentiras, farsas e vilanias
ouço falarem do horror, da tortura, do terror,
do choro dos inocentes e das gargalhadas dos farsantes
ouço falarem do apocalipse, da salvação
do fim do mundo e do reinado da justiça
e do cumprimento de uma profecia
- ouço falarem que tudo se transforma
que da poeira das estrelas nada se perde...
mas, e quanto a mim
o que sou diante de tudo isto,
serei para sempre
uma orelha flutuante – no vazio?
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