sábado, 15 de julho de 2017

O adeus vem depois


La Madre, Umberto Boccioni, 1909



Olho minha mãe
Serena, na poltrona…

Minha mãe quer dormir
O sono
Que jamais dormiu

Minha mãe está pálida
Geme baixinho
Um gemido sem sentido

Seria dor
Não fosse ela dizer
Que não há nenhuma dor
E geme mesmo assim
Esse obscuro temor

- Que será?, balbucia
E a sua melhor resposta
É pedir um beijo…

Mas nada de despedida, avisa
Que beijo não tem ocasião
- Quero apenas um beijo,
O adeus vem depois. 


3 comentários:

  1. Arrepiante! Foi só o que consegui manifestar diante deste poema. Até minou água nos meus olhos. Parabéns, amigo!

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