sábado, 4 de abril de 2026

transição...

 

Google Gemini


(o dia em que deixei de ser criança

o dia em que, pela primeira vez, o adulto em mim, se mostrou

o dia em que a criança em mim teve que dar passagem ao adulto

o dia em que o adulto e a criança não se reconheceram um no outro


esse dia estranho não existe

esse dia não é

esse dia é uma invenção

busca tornar-se realidade

eis que a criança mostra seu olhar, seu sentir

o adulto os calos das suas mãos

sem violência é este confronto

para extrair sentido da lembrança

desse não-acontecido


esse dia

pois é...

esse dia não é meu

talvez não seja de ninguém

mas foi um dia sim

qualquer um pode afirmar:

seria bom construir

o drama daquele momento

daquele encontro interior

onde o espanto

teve que curar feridas

sem deixar cicatriz)


veio de um estalo

no olhar de Clarice

na última fala pública

ali, enxerguei no vácuo

a criança que não se foi

o adulto que não se apaga:

o drama de dois estranhos

assinando, em silêncio

um tratado de paz

para que o corpo, enfim,

se mantenha inteiro


 

sábado, 28 de março de 2026

três tempos

 

Google Gemini



cedo,

aprendi que bastava chorar

para o mundo se mover

e satisfazer minha vontade


logo, servo de mim,

sempre que a gana surgia

eu próprio corria

para satisfazê-la


agora,

quando arde o desejo

a consumir este corpo que lembra

me ponho a imaginar… e sonhar


 


sábado, 21 de março de 2026

O tempo das metáforas acabou

 

Google Genini



o amor não é fogo que arde sem se ver

é reação química exotérmica

ardência real se for herpes labial


a alegria não é uma pipa no céu

mas um estado emocional transitório

uma elevação momentânea do humor


os olhos não são janelas da alma

mas uma gelatina protegida por córnea, íris e retina

que transforma luz em impulsos elétricos


o tempo não é um rio que corre

porque um rio desagua no mar

e o tempo não molha ninguém


o vento não é mensageiro

não traz recados, só poeira,

pólen e às vezes resfriado


os pés não são raízes

mas estruturas ósseas feitas para andar,

e se fincam é por cansaço


a vida não é um breve incêndio

mas mitocôndrias que queimam glicose e produzem energia

o último suspiro apaga não um fogo mas um pulsar


eis o mundo de desencanto

o tempo das metáforas

acabou


a vida tem sido tão literal

que a poesia, envergonhada

encontra-se escondida nalguma esquina