diga-me pleurôn,
porque sou o que sou?
se antes de mim, eu não existia,
o que me faz te perguntar isto
sabendo que logo estarei morto
apenas pó soprado no imenso deserto
esquecido do que fui, sonhei e fiz
neste curto espaço de tempo
em que acreditei que bastava
pensar para criar suposta realidade
onde nos debatemos uns nos outros
como cego, surdos e mudos
numa sala escura.
não, não me responda
não desejo pensar novas perguntas
e alcançar as mesmas respostas
de que a mim
me cabe um singular instante
um propósito além do imediatismo:
porque viver
é um truque de magia
indesmontável
aceitação daquilo
que jamais serei
ou conhecerei


