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sábado, 25 de abril de 2026

inventário do pó


Google Gemini


sei do raro gás o segredo e o nó

mas para criar água me queimo:

unir o sopro ao fôlego da vida

explode em fogo a mão atrevida


na cidade, carcaça de metal e pressa

(onde o aço range sonho de extinção), 

o automóvel e as grades adornam

a cela da minha inóspita e amada solidão


no asfalto, trafego vaidosos espelhos

catedrais de luxo desumano

que sugam o sangue da eletricidade

enquanto o deserto reclama seu plano


de mim cobram ouro, brilho, apogeu

como se a chama em surto final

fosse a saúde daquilo que ainda vive

no espasmo do curto-circuito fatal


vendem-me tudo em parcelas risonhas

mas cospem no sábio que observa a brasa

preferem a ilusão do instante bento

ao seguro teto da reconstruída casa


filtro o mar com fúria e descrença

em busca de um gole de paz e luz,

mas o que sobra da bacia imensa

é puro sal que me humilha e reduz


interditei meu pais, o rio, a floresta - 

velhos gagás que nunca tiveram juízo

esqueço a salmoura que no fundo resta:

resíduo amargo do meu eterno prejuízo. 



sábado, 18 de abril de 2026

imã de geladeira

 

Google Gemini



emagrecer

fazer limpeza de pele

botar ordem no intestino

parar de tomar tanto remédio

fazer exercícios físicos

viajar de navio

olhar as estrelas

plantar uma árvore

visitar a China

escrever um romance

dirigir um filme

e só depois por fim morrer


 

sábado, 11 de abril de 2026

experiência pontual

 

Google Gemini


ponto de partida

ponto de ônibus

ponto no jogo

ponto de costura

ponto cruz

ponto da fervura

ponto pacífico


carne ao ponto


ponto fraco

ponto de fuga

ponto de taxi

ponto de encontro

ponto comercial

ponto de vista

ponto da aula


relógio de ponto


ponto de umbanda

ponto teatral

ponto e vírgula

ponto de interrogação

ponto de exclamação

ponto cego

ponto de luz


dois pontos


ponto de equilíbrio

ponto de apoio

ponto eletrônico

ponto de observação

ponto morto

ponto de virada

ponto de chegada


ponto final



sábado, 4 de abril de 2026

transição...

 

Google Gemini


(o dia em que deixei de ser criança

o dia em que, pela primeira vez, o adulto em mim, se mostrou

o dia em que a criança em mim teve que dar passagem ao adulto

o dia em que o adulto e a criança não se reconheceram um no outro


esse dia estranho não existe

esse dia não é

esse dia é uma invenção

busca tornar-se realidade

eis que a criança mostra seu olhar, seu sentir

o adulto os calos das suas mãos

sem violência é este confronto

para extrair sentido da lembrança

desse não-acontecido


esse dia

pois é...

esse dia não é meu

talvez não seja de ninguém

mas foi um dia sim

qualquer um pode afirmar:

seria bom construir

o drama daquele momento

daquele encontro interior

onde o espanto

teve que curar feridas

sem deixar cicatriz)


veio de um estalo

no olhar de Clarice

na última fala pública

ali, enxerguei no vácuo

a criança que não se foi

o adulto que não se apaga:

o drama de dois estranhos

assinando, em silêncio

um tratado de paz

para que o corpo, enfim,

se mantenha inteiro


 

sábado, 28 de março de 2026

três tempos

 

Google Gemini



cedo,

aprendi que bastava chorar

para o mundo se mover

e satisfazer minha vontade


logo, servo de mim,

sempre que a gana surgia

eu próprio corria

para satisfazê-la


agora,

quando arde o desejo

a consumir este corpo que lembra

me ponho a imaginar… e sonhar


 


sábado, 21 de março de 2026

O tempo das metáforas acabou

 

Google Genini



o amor não é fogo que arde sem se ver

é reação química exotérmica

ardência real se for herpes labial


a alegria não é uma pipa no céu

mas um estado emocional transitório

uma elevação momentânea do humor


os olhos não são janelas da alma

mas uma gelatina protegida por córnea, íris e retina

que transforma luz em impulsos elétricos


o tempo não é um rio que corre

porque um rio desagua no mar

e o tempo não molha ninguém


o vento não é mensageiro

não traz recados, só poeira,

pólen e às vezes resfriado


os pés não são raízes

mas estruturas ósseas feitas para andar,

e se fincam é por cansaço


a vida não é um breve incêndio

mas mitocôndrias que queimam glicose e produzem energia

o último suspiro apaga não um fogo mas um pulsar


eis o mundo de desencanto

o tempo das metáforas

acabou


a vida tem sido tão literal

que a poesia, envergonhada

encontra-se escondida nalguma esquina



sábado, 14 de março de 2026

o novo sagrado

 


Google Gemini


as maças estão podres

macieiras também

mas não só as maças

e as macieiras -

todo o pomar está podre

frutos que pensávamos imunes

à podridão

mostram sinais de corrupção

uvas, laranjas, melões…

ninguém está a salvo

eis o normal que sobrevive

mudamos o paladar

invertemos o gosto

o que antes causava repulsa

passamos a desejar

e agora bradamos em megafones

estampamos em outdoors

nos intervalos comerciais

em panfletos, ensaios e teses:

o ruim é bom e o doentio, saudável

o que antes era exceção

esculpimos na pedra -

uma única regra canônica





sábado, 7 de março de 2026

o cão, o menino e a cerca

 

Google Gemini 


o cão e a cerca

a cerca e o menino

o cão, o menino

e a cerca entre eles

o cão latia

o menino talatava

(provocar ruído com uma tala

de madeira, plástico ou metal)

a cerca

da direita pra esquerda

e vice-versa

e desse modo assim

todo dia

o menino se divertia

o cão ladrava

e a cerca sofria

e assim se dava

esta agonia

e parecia

que nem o cão

nem o menino

queriam

dar um fim

para esta história


 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

o alívio do instante

 

Google Gemini



aperto no peito

que apavora

qual nota acalmará

a ânsia do poema esquecido

entre a vigília e o sono

(limiar onde tudo nasce

mas também se perde)


aperto no peito

que aterra

qual acorde acudir

o sonho que dissipa a noite

e instaura a

lógica poética das coisas


aperto no peito

que assusta

já é hora de partir

reconciliar o movimento

no apaziguado seguir


aperto no peito

que espanta

eis o alívio inevitável

do instante



 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

às vezes penso

Google Gemini

 

 

às vezes penso:


tudo que aguardo


está dentro de mim


esperando pra nascer


 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

leve que nem pensamento

 

Google Gemini


acordei, dei corda nas horas

e pedi que fossem brincar com o tempo

para que eu pudesse alcançar infinitos sons


me remexi na cama sob efeito dos ruídos

que palavreavam dentro da minha ignorância


um chilreio ali - é o bentivi no galho ao lado

o grilo cricrila escondido ao limpar as patas

e um splastik - que estranho, quem será?

- é uma velha tartaruga pisoteando uma garrafa pet

no quintal vizinho…


experimento o vento fazer das suas

enquanto o gavião atita sobre

a xícara fumegante de café…


meus olhos embebidos de verde passeiam

o teto das casas - sinto as cigarras

estridularem seus timbales

como se fossem britadeiras

ou banda insaciável de rock


escancaro a janela

meus sentidos suam

mas acordei leve

tal qual os pensamentos

que me despertaram


 

sábado, 31 de janeiro de 2026

horizonte oculto

 

Google Gemini




uma janela inexorável olha

para outra janela de persiana abaixada...

e existe, no alto, uma porta

que jamais conversa com outra porta


ai de mim que,

debaixo do cobertor,

reclamo do intermediário

que dá bom dia por mim!


- zé, diga pro 12 que ele amassou a lateral do meu pegout!

- vou olhar no replay, doutor!

- pra que, foi ele e cabou!

- vê só, o seu vizinho do 27, não tinha que estar no segundo-subsolo, já que a vaga dele é no primeiro… às 22:45 ele fez uma manobra arriscada…

(não me desculpo, não é do feitio de ninguém da minha laia)

- dê seu jeito ou processo o condominio!


apenas advogados garantem

que causas sejam lembradas:

vitória ou vingança - quem perde, perde

quem ganha jogou dinheiro fora

e recebe do volta indiferença - doença mortal

produzida por uma bactéria

que caiu na Terra, alojada num meteoro

e criou a ilusão de que a gente

nunca jamais deve conhecer o horizonte…


 

sábado, 24 de janeiro de 2026

qual é o teu céu?

 

Google Gemini


será que o cachorro pensa,

que quando morre

vai pro céu dos cachorros?


e as gaivotas e as cigarras,

os bem-te-vis, os gaviões, os urubus...?


e os pernilongos - não sei se sonham -

será que vão para algum céu?


de minha parte quero ir pro céu da poesia

onde as coisas simples são sublimes


e eu continue a olhar a mesma tela

desta vista que tenho diante dos meus olhos

nesta Garça Torta que é sempre mar...


meu melhor sonho de paraíso

é transitar

e lembrar apenas

da última encarnação


 

sábado, 10 de janeiro de 2026

família

Google Gemini

 


 

família:

pai, mãe e filhos –

balela

comigo sempre foi mãe e dois filhos -

pai era um vocábulo inexistente

um fantasma


eventuais candidatos

não superavam

aquilo que mãe cumpria


e de mãe conheci avô

igual a todos os pais que existiam

com uma diferença: sabia contar histórias

possuia anseio poético -

sobrevivente pobre, humanidade frágil,

desejo louco de beleza,

transcendência,

apesar da máscara...


mãe contava -

pra minha indignação -

que sofrera horrores

em suas mãos severas, arbitrárias, injustas...

amava e odiava avô


mãe fundou um possível

a partir de cascos, suas falhas

reescreveu uma história -

bastou-me.


 

sábado, 3 de janeiro de 2026

a xícara vazia

 

Google Gemini


ouvi de um poeta

que a vida flui que nem um rio

de modo irregular, inesperado

alisando pedras

se torcendo em curvas

desviando-se

das margens que o oprimem

- penso na vida, cravou

que nem fosse um rio

a enfrentar incertezas e mistério


mas aí lembrei de outro poeta

que disse "tudo começa no pensamento -

ficção de onde começa alguma coisa

porque nada começa, tudo continua"


e arrisquei: o rio tem vontade, poeta

ele pensa ou apenas continua?


o poeta esvazia a xícara

e encerra a estrofe

- os antigos chineses

ansiavam estar de acordo

com a ordem universal

daí não pensarem o rio

pensavam o percurso...


 

sábado, 27 de dezembro de 2025

ressurreição da manhã

 

Google Gemini



hoje acordei em busca de conselho

e a lembrança de um encontro

me levou de imediato

a uma varanda ao luar

e àquele amor resistência

repetido por dias, por horas

todo instante… ah,

repetiria os beijos, as carícias

para que a guerra ficasse longe de mim...

e escrevi e pintei paisagens

e tirei uma foto do mar diante da janela

e lembrei doutro dia em que pintei o sete

e tomei um porre

e fiquei louco

de amor

de tesão

tanto que a poesia construiu em mim

essa virtude

e então

morri

que nem se dorme

antes de ouvir este conselho

e jamais esqueci

a ressurreição da manhã


 

sábado, 20 de dezembro de 2025

ninho

 

Google Gemini




tudo na vida cessa

a chuva, o frio, a sorte

até o lamento da morte

a gente esquece e passa

 

fica somente o ninho

feito de jeito e arte

pra ser abrigo e parte

da vida dum passarinho


 

sábado, 13 de dezembro de 2025

infância

 

Google Gemini


a criança sabia, sem saber

que o desafio da alegria

era esquecer

a melancolia, a tristeza

e viver

capitão da rua,

carrinho de rolimã,

asfalto por oceano

na ladeira, íngreme e grave...


(os apressados e distraídos adultos

com a inveja por fardo

fugiam gigantes

da fortuna de ser pleno)

 

joelhos ralados por medalhas

ranger das rodas, hino de guerra,

meu mundo era a rua

e o tempo

dolorida e doce felicidade


 

sábado, 6 de dezembro de 2025

alegria do futuro

 

Google Gemini


foi "amor à primeira vista"...

logo ele estava a ler jornal

e ela a cuidar da casa


os filhos cresceram

e quanto tiveram idade

o amor repetiu o rito


refugiou todos a casa

ele fechado no jornal

e ela a tecer crochê


outras crianças vieram

ele abusara de ler jornal

enquanto ela pregava botões


o espaço encurtou

vovô, contrariado,

passou a cruzar palavras…


e vovó, liberta,

todos os botões pregados,

começou a ser alegria…


mas faltava rir amanhã