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sábado, 24 de janeiro de 2026

qual é o teu céu?

 

Google Gemini


será que o cachorro pensa,

que quando morre

vai pro céu dos cachorros?


e as gaivotas e as cigarras,

os bem-te-vis, os gaviões, os urubus...?


e os pernilongos - não sei se sonham -

será que vão para algum céu?


de minha parte quero ir pro céu da poesia

onde as coisas simples são sublimes


e eu continue a olhar a mesma tela

desta vista que tenho diante dos meus olhos

nesta Garça Torta que é sempre mar...


meu melhor sonho de paraíso

é transitar

e lembrar apenas

da última encarnação


 

sábado, 10 de janeiro de 2026

família

Google Gemini

 


 

família:

pai, mãe e filhos –

balela

comigo sempre foi mãe e dois filhos -

pai era um vocábulo inexistente

um fantasma


eventuais candidatos

não superavam

aquilo que mãe cumpria


e de mãe conheci avô

igual a todos os pais que existiam

com uma diferença: sabia contar histórias

possuia anseio poético -

sobrevivente pobre, humanidade frágil,

desejo louco de beleza,

transcendência,

apesar da máscara...


mãe contava -

pra minha indignação -

que sofrera horrores

em suas mãos severas, arbitrárias, injustas...

amava e odiava avô


mãe fundou um possível

a partir de cascos, suas falhas

reescreveu uma história -

bastou-me.


 

sábado, 3 de janeiro de 2026

a xícara vazia

 

Google Gemini


ouvi de um poeta

que a vida flui que nem um rio

de modo irregular, inesperado

alisando pedras

se torcendo em curvas

desviando-se

das margens que o oprimem

- penso na vida, cravou

que nem fosse um rio

a enfrentar incertezas e mistério


mas aí lembrei de outro poeta

que disse "tudo começa no pensamento -

ficção de onde começa alguma coisa

porque nada começa, tudo continua"


e arrisquei: o rio tem vontade, poeta

ele pensa ou apenas continua?


o poeta esvazia a xícara

e encerra a estrofe

- os antigos chineses

ansiavam estar de acordo

com a ordem universal

daí não pensarem o rio

pensavam o percurso...


 

sábado, 27 de dezembro de 2025

ressurreição da manhã

 

Google Gemini



hoje acordei em busca de conselho

e a lembrança de um encontro

me levou de imediato

a uma varanda ao luar

e àquele amor resistência

repetido por dias, por horas

todo instante… ah,

repetiria os beijos, as carícias

para que a guerra ficasse longe de mim...

e escrevi e pintei paisagens

e tirei uma foto do mar diante da janela

e lembrei doutro dia em que pintei o sete

e tomei um porre

e fiquei louco

de amor

de tesão

tanto que a poesia construiu em mim

essa virtude

e então

morri

que nem se dorme

antes de ouvir este conselho

e jamais esqueci

a ressurreição da manhã


 

sábado, 20 de dezembro de 2025

ninho

 

Google Gemini




tudo na vida cessa

a chuva, o frio, a sorte

até o lamento da morte

a gente esquece e passa

 

fica somente o ninho

feito de jeito e arte

pra ser abrigo e parte

da vida dum passarinho


 

sábado, 13 de dezembro de 2025

infância

 

Google Gemini


a criança sabia, sem saber

que o desafio da alegria

era esquecer

a melancolia, a tristeza

e viver

capitão da rua,

carrinho de rolimã,

asfalto por oceano

na ladeira, íngreme e grave...


(os apressados e distraídos adultos

com a inveja por fardo

fugiam gigantes

da fortuna de ser pleno)

 

joelhos ralados por medalhas

ranger das rodas, hino de guerra,

meu mundo era a rua

e o tempo

dolorida e doce felicidade


 

sábado, 6 de dezembro de 2025

alegria do futuro

 

Google Gemini


foi "amor à primeira vista"...

logo ele estava a ler jornal

e ela a cuidar da casa


os filhos cresceram

e quanto tiveram idade

o amor repetiu o rito


refugiou todos a casa

ele fechado no jornal

e ela a tecer crochê


outras crianças vieram

ele abusara de ler jornal

enquanto ela pregava botões


o espaço encurtou

vovô, contrariado,

passou a cruzar palavras…


e vovó, liberta,

todos os botões pregados,

começou a ser alegria…


mas faltava rir amanhã



sábado, 29 de novembro de 2025

a verdadeira história que conto e enfeito

 

Google Gemini



oh minha tia

tão velhinha, caidinha

já nem lembra mais

quem sou



minha tia ri

ainda é dona de muitas estórias

que só conta

se a gente ficar queitinho

e comer todos os docinhos

que ela sonha

colocar na mesa



minha tia

sempre foi antagonista

da minha mãe



para qualquer história

duas versões



jamais concordaram



mainha e titia

partiram:



jamais saberei

o desfecho verdadeiro

desta história

que teimo em contar:

era uma vez um limão

que encontrou um jeito

de fazer várias limonadas


 

sábado, 22 de novembro de 2025

cinema mudo

 

Google Gemini



o ônibus rodava

o suor coletivo machucava o ar

a paisagem monótona desfilava pela janela impassível

postes, cercas, montes

um bovino feito estátua

um casebre abandonado no centro de uma pintura naif

campo, pedras, árvores solitárias e

ausências...


os olhos do viajante

perambulavam pra lá e pra cá

nada em particular retinha suas retinas

mas no fundo da alma o perseguia a pergunta:

- de que conto saiu esse filme sem ação

e onde anda a cidade mais próxima

haverá ali algo que surpreenda meus olhos?


desanimado

mirou o céu azul salpicado de nuvens

o sol ardia

tudo era comum

familiar


ainda não era tarde

mas o longe parecia mais distante

e não havia hora para chegar

porque qualquer lugar seria o lugar

igual a todos que conhecia


era apenas uma viagem de recreio

melhor dormir e talvez sonhar.


 

sábado, 15 de novembro de 2025

o rugido do silêncio

 

Google Gemini


brasil dói

soc, ai, pow, grrr, aiaiai, crash, zapt

bang, aaaiii, plof, crack, uiiii, paf

splat, ugh, bum, cabum

siiiirene, ratátátá

snif, snif

buá, buááá...

e quanto mais se explica

mais dói

esse silêncio -

gigantesco ruído



sábado, 11 de outubro de 2025

crônica de um tempo perdido

 

Léon Bazille Perrault, O combate das crianças, 1889



3 coisas que não consigo provar:

inexistência de deus

imortalidade da alma

vida após a morte


no entanto, meu vizinho consegue,

com o auxilio da força bruta,

enfiar pela minha goela abaixo

seus argumentos de fé


para evitar

que atinja o limite da cólera

e me machuque ainda mais

digo sim!

existe uma divindade absoluta

em um reino metafísico

acima das nuvens

que me ama


(e?)


se for um bom menino

quando morrer

irei passar a eternidade

a contemplar sua glória


(e?)


porém, se pisar na bola

queimarei para sempre

no fogo de um inferno

exclusivo, amém?


recolheu suas armas

fez sinal que estava de olho em mim

e foi almoçar em família,

ele e seu vaso biônico


mostrei-lhe o dedo

dei-lhe banana

apresentei-lhe meus culhões

e acabei por descobrir

que não existe reencarnação:


o velho Buda, liberto

acaba de sussurrar ao meu ouvido

que se não for aqui

será agora


corri para assistir,

no streaming mais próximo,

ao tiroteio no ok curral


 

sábado, 4 de outubro de 2025

metamorfose

 

Metamorfose, Manuel Rivera, 1959




há uma horda de indecentes

enlouquecidos e raivosos

tão ocos quanto o ódio,

(esse vazio existencial),

a detonar tudo

nessa loja de cristais

que habitamos

 

em outdoors garrafais exclamo:

gente, o inimigo sou eu

ó glória!

sou o abismo que me encara

na faixa de pedestre.


vê? crimes e castigos

coreografados

diante do espelho,

para além do recalque,

exibem Narciso, esse amante

violento a fazer do caos

o espetáculo da temporada


na margem oposta,

falo línguas e

garimpo moedas psicodélicas

deslembrado da senha


conserto: antes

que a borboleta assassina

ávida de escapar,

me assuma, dispo-me

enlouquecido

do imperioso desejo de ser



 

sábado, 27 de setembro de 2025

aqui entre nós

 

Divisão, Michelangelo Pistoletto, 1977


aqui entre nós

somos maniqueístas

educados para dividir o mundo:

nós e eles, luz e trevas

bem, mal, preto, branco…


moderação onde está?,

mundo sem meio termo,

que fim levou a nuance?


(saúde emocional

nem pensar

e o arco iris

- quem contesta? -

é tão lindo)


imerso na feiúra,

guerra de A contra o B

minha sede aumenta

a medida que bebo

e o resto do alfabeto

que se lenhe!


existe um universo

entre o céu a terra

do que supõe

o sim e o não


sim, havemos de atravessar,

entre miragens,

esse pântano de cobras e lagartos:

- existe um coletivo adiante.



 

sábado, 20 de setembro de 2025

a arte de tourear a besta

 

Imagem gerada no Google Gemini



as dores que me enxotam

me fazem conquistar

diariamente

o direito de viver

um último instante.


quem sabe o amanhã

me encontre esquecido…!


eis o plano:

assim que puder

instalarei satélites refletores

da luz solar

e eliminarei a noite...


… se existe

gente feliz nos cafundós,

devo tourear a besta todo dia.


 

sábado, 13 de setembro de 2025

a dor poética

 

O Idoso Triste, Vicent Van Gogh, 1890


sou Bukowski e

sou Drummond

defendo a mesma ideia

bêbado ou sóbrio:

a poesia é incurável

 

o poeta é uma dor

que luta para entender

aquilo que não cessa

e consome -

o fogo que arde

e por fim queima

 

o poeta

embora trave seu combate,

busque exorcizar sua dor -

em combustão se esgota:

A derrota é inevitável,

mas a batalha

é a razão

do ser

poético


 



sábado, 30 de agosto de 2025

combate a violência

 

As Sete Musas, Google Gemini



nossos antepassados,

para combater a violência

inventaram a arte

escultura

pintura

poesia

música

história

teatro

dança

sete musas a nos inspirar

no combate à crueldade


nos tempos modernos

para descarregar

a alma do absurdo

inventamos

o cinema e

o desenho animado


mas a discórdia

continua a nos dizer,

sem qualquer gentileza,

que a realidade

é dura e fria:

não há como vencer a força bruta!


me vem à lembrança partisans

maquis, vietcongs…


nada é tão imenso

que, de tão imenso,

um dia não venha ao chão


 

sábado, 23 de agosto de 2025

vingança

 

Filho Pródigo, Gustavo Doré, Séc XIX



o pai traz o filho

abandonado

em seus braços


enfrentaram monstros

pai e filho, sem concluir

que o combate é prova de vida


traz hoje, o pai

em seus braços,

o filho ferido, raivoso

garras exibidas,

herdadas


o filho quer sumir o pai

mas assalta-lhe

alguma compaixão

não pelo pai, mas por si


o filho se salva

ao revelar humanidade

e salva o pai

que vê consumada

sua vingança




sábado, 16 de agosto de 2025

as mil máscaras do doutor nein

 


Imagem criada no Google Gemini


outro dia topei

com um sujeito vestido de cadáver

a brandir um ensebado livro

e cuspir uma singela revelação


antes que conseguisse me desvencilhar

vociferou a sufocar meu pulso:

branco é a única cor

e tu és um demônio, pobre

a patinar no sangue seco das calçadas,

culpado da tua própria exclusão – escuta!


O dedo em sentença,

escolheu uma página aleatória

no livro escudo

e agrediu meus sentidos

com uma receita da prosperidade:

imite o patrão –

esse sol que arde mas não queima!


renegue o perseguido, desafiou:

o mal que te habita em negação

tu, anticidadão do bem,

prisioneiro de meia dúzia de baderneiros,

em terra arrasada vivente,

tu, índio, preguiçoso, preto

nordestino, baiano, paraíba

analfabeto, cachaceiro,

bucho de cuscuz, bucha de canhão… lembrai!

foste abençoado pelo dono da liberdade,

o divino criador de tudo e todos,

sabedor de toda agulha no palheiro

conhecedor de toda desilusão… ele

tem um módico plano para ti:

todos os privilégios do mundo

além da salvação eterna

se obedeceres… oh, glória, aleluia…

amém?


ameacei chamar a polícia

ele riu

e apontou para a câmera

pendurada no peito

e para o distintivo dourado

estufado na lapela do seu surrado uniforme...