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sábado, 13 de junho de 2026

orelha flutuante

 

Google Gemini


ouço falarem das estrelas, galáxias, aglomerados

da radiação de fundo, velocidade da luz,

da gravidade, dos buracos brancos e negros

da matéria escura e do universo em expansão

ouço falarem de multi-universos

e também de um universo

onde sou o inverso de mim mesmo

ou até de um onde não me reconheço

nem sei quem sou

e de um onde não ouço nada

 

ouço falarem dos planetas,

da zona de conforto em torno de estrelas

da vida, da morte

ouço falarem dos minúsculos e pequenos animais,

dos grandes animais, de todos os que foram extintos

ou estão em fase de


ouço falarem de humanos,

seus engenhos, suas conquistas, seus fracassos

seus amores, dessabores, utopias, estupidez

ouço falarem de muitas teorias,

de filosofias, de religiões, de crenças, de lendas

de mitos, fábulas e civilizações…

ouço falarem de bactérias, vírus, amebas e protozoários

ouço falarem do mundo quântico,

do infinitamente pequeno

semelhante ao infinitamente grande


ouço falarem de poetas, dramaturgos,

pintores, escultores, dançarinos, músicos, cantores

de gente performática e seus dilemas morais

ouço falarem de geopolítica

de guerras comerciais

de imperialismo e hegemonia

de um mundo multipolar

de ambições políticas e interesses pessoais


ouço falarem de oferta, demanda,

abundância e escassez

de liberdade, igualdade e fraternidade

da fatalidade das coisas, de destino inexorável,

do é assim porque é assim

do que foi sempre será


ouço falarem de mentiras, farsas e vilanias

ouço falarem do horror, da tortura, do terror,

do choro dos inocentes e das gargalhadas dos farsantes

ouço falarem do apocalipse, da salvação

do fim do mundo e do reinado da justiça

e do cumprimento de uma profecia


- ouço falarem que tudo se transforma

que da poeira das estrelas nada se perde...


mas, e quanto a mim

o que sou diante de tudo isto,

serei para sempre

uma orelha flutuante – no vazio?


 


sábado, 30 de maio de 2026

mudança de paradigma

 

Google Gemini



não, não me venham falar de sereias

monstro do lago ness, papai noel

loira do banheiro…

meu estoque de besteiras

saturou

distrações e sandices

estouraram

meu saco de risadas


chega de abuso,

minha ignorância anseia por sanidade

razão prática, silêncio instrutor e

que meu gesto fique melhor

antes que o próximo dilúvio acabe

com o mundo das coisas que valem a pena


aguardo a confirmação

da 5ª série no horário nobre da grade de humor

das televisões do mundo -

a ingenuidade e, principalmente,

a ausência de malícia

ocupará o lugar que lhe é próprio

 

e que os agentes policiais

nem senhoras protetoras da moral e dos bons costumes

parem de me julgar

mas aceito papear com os desconfiados de si mesmos

onde, brincando na chuva, rirei de mim


 


 

sábado, 16 de maio de 2026

processo

 

Google Gemini



as coisas melhoraram!

tecnologia e coisa e tal…


nós humanos alcançamos algo inimaginável

antes do tempo em que me dei por gente


mas será que, não tendo feito hamonização facial

posso dizer que melhorei?


existem coisas que já fiz,

que atualmente não faria mais

não por covardia mas por compreender

que só existe sentido se for pra melhor


devo ter melhorado, sim

mas por favor, não me apliquem os mesmos testes

- posso agir por impulso e repetir o passado


minha memória seletiva, tão fraca

(esqueci de trocar as pilhas)

inviabiliza o desejo de dignificar o fim deste poema


no entando, desafio a própria lógica:

acordo todo dia,

dentro de um sonho ininterrupto,

não pergunto nada

não desejo nada

no entanto, cá estou

dizendo que não direi basta

afinal, creio que aquilo

que mata de verdade

é morrer e continuar vivendo


 

sábado, 9 de maio de 2026

precária trincheira

 

Google Gemini


o jovem, no aconchego do ipad,

levanta desencantado os olhos

e balbucia: envelheci, oh

quanto desprezo combina

com o medo da polícia

entranhado… velho,

a mastigar dores e mágoas,

descobre surrado

que sua é a rua suja

e lamenta: o folego talvez não alcance

a falta de entusiasmo

do futuro deixado à beira

mesmo que a corrida continue -

o bastão precisa seguir adiante

mas… não se olham, jovem e velho

estranhados, não partilham

da precária trincheira

e se comprasse um novo celular

sair por aí... influenciar?

(seria apenas uma rima

jamais uma solução)

- melhor ficar em casa, diz o jovem,

banho tomado, cabelo penteado, terno de linho engomado...

- a rua é o meu lugar, completa o velho

bolso furado, desgrenhado, amassado, esquecido...


 

sábado, 25 de abril de 2026

inventário do pó


Google Gemini


sei do raro gás o segredo e o nó

mas para criar água me queimo:

unir o sopro ao fôlego da vida

explode em fogo a mão atrevida


na cidade, carcaça de metal e pressa

(onde o aço range sonho de extinção), 

o automóvel e as grades adornam

a cela da minha inóspita e amada solidão


no asfalto, trafego vaidosos espelhos

catedrais de luxo desumano

que sugam o sangue da eletricidade

enquanto o deserto reclama seu plano


de mim cobram ouro, brilho, apogeu

como se a chama em surto final

fosse a saúde daquilo que ainda vive

no espasmo do curto-circuito fatal


vendem-me tudo em parcelas risonhas

mas cospem no sábio que observa a brasa

preferem a ilusão do instante bento

ao seguro teto da reconstruída casa


filtro o mar com fúria e descrença

em busca de um gole de paz e luz,

mas o que sobra da bacia imensa

é puro sal que me humilha e reduz


interditei meu pais, o rio, a floresta - 

velhos gagás que nunca tiveram juízo

esqueço a salmoura que no fundo resta:

resíduo amargo do meu eterno prejuízo. 



sábado, 18 de abril de 2026

imã de geladeira

 

Google Gemini



emagrecer

fazer limpeza de pele

botar ordem no intestino

parar de tomar tanto remédio

fazer exercícios físicos

viajar de navio

olhar as estrelas

plantar uma árvore

visitar a China

escrever um romance

dirigir um filme

e só depois por fim morrer


 

sábado, 11 de abril de 2026

experiência pontual

 

Google Gemini


ponto de partida

ponto de ônibus

ponto no jogo

ponto de costura

ponto cruz

ponto da fervura

ponto pacífico


carne ao ponto


ponto fraco

ponto de fuga

ponto de taxi

ponto de encontro

ponto comercial

ponto de vista

ponto da aula


relógio de ponto


ponto de umbanda

ponto teatral

ponto e vírgula

ponto de interrogação

ponto de exclamação

ponto cego

ponto de luz


dois pontos


ponto de equilíbrio

ponto de apoio

ponto eletrônico

ponto de observação

ponto morto

ponto de virada

ponto de chegada


ponto final



sábado, 4 de abril de 2026

transição...

 

Google Gemini


(o dia em que deixei de ser criança

o dia em que, pela primeira vez, o adulto em mim, se mostrou

o dia em que a criança em mim teve que dar passagem ao adulto

o dia em que o adulto e a criança não se reconheceram um no outro


esse dia estranho não existe

esse dia não é

esse dia é uma invenção

busca tornar-se realidade

eis que a criança mostra seu olhar, seu sentir

o adulto os calos das suas mãos

sem violência é este confronto

para extrair sentido da lembrança

desse não-acontecido


esse dia

pois é...

esse dia não é meu

talvez não seja de ninguém

mas foi um dia sim

qualquer um pode afirmar:

seria bom construir

o drama daquele momento

daquele encontro interior

onde o espanto

teve que curar feridas

sem deixar cicatriz)


veio de um estalo

no olhar de Clarice

na última fala pública

ali, enxerguei no vácuo

a criança que não se foi

o adulto que não se apaga:

o drama de dois estranhos

assinando, em silêncio

um tratado de paz

para que o corpo, enfim,

se mantenha inteiro


 

sábado, 28 de março de 2026

três tempos

 

Google Gemini



cedo,

aprendi que bastava chorar

para o mundo se mover

e satisfazer minha vontade


logo, servo de mim,

sempre que a gana surgia

eu próprio corria

para satisfazê-la


agora,

quando arde o desejo

a consumir este corpo que lembra

me ponho a imaginar… e sonhar


 


sábado, 21 de março de 2026

O tempo das metáforas acabou

 

Google Genini



o amor não é fogo que arde sem se ver

é reação química exotérmica

ardência real se for herpes labial


a alegria não é uma pipa no céu

mas um estado emocional transitório

uma elevação momentânea do humor


os olhos não são janelas da alma

mas uma gelatina protegida por córnea, íris e retina

que transforma luz em impulsos elétricos


o tempo não é um rio que corre

porque um rio desagua no mar

e o tempo não molha ninguém


o vento não é mensageiro

não traz recados, só poeira,

pólen e às vezes resfriado


os pés não são raízes

mas estruturas ósseas feitas para andar,

e se fincam é por cansaço


a vida não é um breve incêndio

mas mitocôndrias que queimam glicose e produzem energia

o último suspiro apaga não um fogo mas um pulsar


eis o mundo de desencanto

o tempo das metáforas

acabou


a vida tem sido tão literal

que a poesia, envergonhada

encontra-se escondida nalguma esquina



sábado, 14 de março de 2026

o novo sagrado

 


Google Gemini


as maças estão podres

macieiras também

mas não só as maças

e as macieiras -

todo o pomar está podre

frutos que pensávamos imunes

à podridão

mostram sinais de corrupção

uvas, laranjas, melões…

ninguém está a salvo

eis o normal que sobrevive

mudamos o paladar

invertemos o gosto

o que antes causava repulsa

passamos a desejar

e agora bradamos em megafones

estampamos em outdoors

nos intervalos comerciais

em panfletos, ensaios e teses:

o ruim é bom e o doentio, saudável

o que antes era exceção

esculpimos na pedra -

uma única regra canônica





sábado, 7 de março de 2026

o cão, o menino e a cerca

 

Google Gemini 


o cão e a cerca

a cerca e o menino

o cão, o menino

e a cerca entre eles

o cão latia

o menino talatava

(provocar ruído com uma tala

de madeira, plástico ou metal)

a cerca

da direita pra esquerda

e vice-versa

e desse modo assim

todo dia

o menino se divertia

o cão ladrava

e a cerca sofria

e assim se dava

esta agonia

e parecia

que nem o cão

nem o menino

queriam

dar um fim

para esta história


 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

o alívio do instante

 

Google Gemini



aperto no peito

que apavora

qual nota acalmará

a ânsia do poema esquecido

entre a vigília e o sono

(limiar onde tudo nasce

mas também se perde)


aperto no peito

que aterra

qual acorde acudir

o sonho que dissipa a noite

e instaura a

lógica poética das coisas


aperto no peito

que assusta

já é hora de partir

reconciliar o movimento

no apaziguado seguir


aperto no peito

que espanta

eis o alívio inevitável

do instante



 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

às vezes penso

Google Gemini

 

 

às vezes penso:


tudo que aguardo


está dentro de mim


esperando pra nascer


 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

leve que nem pensamento

 

Google Gemini


acordei, dei corda nas horas

e pedi que fossem brincar com o tempo

para que eu pudesse alcançar infinitos sons


me remexi na cama sob efeito dos ruídos

que palavreavam dentro da minha ignorância


um chilreio ali - é o bentivi no galho ao lado

o grilo cricrila escondido ao limpar as patas

e um splastik - que estranho, quem será?

- é uma velha tartaruga pisoteando uma garrafa pet

no quintal vizinho…


experimento o vento fazer das suas

enquanto o gavião atita sobre

a xícara fumegante de café…


meus olhos embebidos de verde passeiam

o teto das casas - sinto as cigarras

estridularem seus timbales

como se fossem britadeiras

ou banda insaciável de rock


escancaro a janela

meus sentidos suam

mas acordei leve

tal qual os pensamentos

que me despertaram


 

sábado, 31 de janeiro de 2026

horizonte oculto

 

Google Gemini




uma janela inexorável olha

para outra janela de persiana abaixada...

e existe, no alto, uma porta

que jamais conversa com outra porta


ai de mim que,

debaixo do cobertor,

reclamo do intermediário

que dá bom dia por mim!


- zé, diga pro 12 que ele amassou a lateral do meu pegout!

- vou olhar no replay, doutor!

- pra que, foi ele e cabou!

- vê só, o seu vizinho do 27, não tinha que estar no segundo-subsolo, já que a vaga dele é no primeiro… às 22:45 ele fez uma manobra arriscada…

(não me desculpo, não é do feitio de ninguém da minha laia)

- dê seu jeito ou processo o condominio!


apenas advogados garantem

que causas sejam lembradas:

vitória ou vingança - quem perde, perde

quem ganha jogou dinheiro fora

e recebe do volta indiferença - doença mortal

produzida por uma bactéria

que caiu na Terra, alojada num meteoro

e criou a ilusão de que a gente

nunca jamais deve conhecer o horizonte…