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sábado, 8 de agosto de 2026

geografia da dor

 

Google Gemini


o abacaxi se descasca

mas há outro disfarce

por baixo dessa máscara


a canalha projeta, isola aqui,

inunda ali com baraço e engano

e os filhos de deus louvam as migalhas

em troca de um gole de cachaça


vive-se assim:

entre tapas e bordoadas periféricas,

o esperto fura a fila -

vende o almoço

pra ver se consegue jantar



sábado, 1 de agosto de 2026

e no entanto respiro

 

Google Gemini




diga-me pleurôn,

porque sou o que sou?

se antes de mim, eu não existia,

o que me faz te perguntar isto

sabendo que logo estarei morto

apenas pó soprado no imenso deserto

esquecido do que fui, sonhei e fiz

neste curto espaço de tempo

em que acreditei que bastava

pensar para criar suposta realidade

onde nos debatemos uns nos outros

como cego, surdos e mudos

numa sala escura.


não, não me responda

não desejo pensar novas perguntas

e alcançar as mesmas respostas

de que a mim

me cabe um singular instante

um propósito além do imediatismo:

porque viver

é um truque de magia

indesmontável

aceitação daquilo

que jamais serei

ou conhecerei


 

sábado, 25 de julho de 2026

mais um

 

Google Gemini



quantos poemas foram escritos

até hoje?

poemas de amor, ciúme, dor...

poemas épicos, líricos, dramáticos

poemas-piadas, com ou sem rimas,

brincalhões, farristas, boêmios,

sacanas, satíricos, eróticos

poemas de protesto

metafísicos, religiosos, enigmáticos

sublimes...


escrever poemas

é saber que se tem todo o vocabulário humano

à disposição e escolher a síntese

de um dístico, de um hai-kai

de uma quadra ou de um soneto

ou simplesmente voar ao sabor do sentir-pensar

e alcançar a leveza de uma pena

deslizando sob a carícia de uma brisa

numa tarde de outono a exaltar a liberdade


escrever poemas é conseguir

alcançar o melhor de si

sem falar demais


 

sábado, 18 de julho de 2026

magestoso e miserável

 


Google Gemini


o ser humano é bacana

engenho é pouco...

e não falo da poesia

dos raciocínios lógicos

da imaginação...

mas daí a sermos

o centro de todas as coisas

nem DaVinci assinaria em baixo


e olha que Leonardo

foi um daqueles mestres

que usava tudos os recursos

para exaltar o que havia de humano

nesta peculiar

e solitária criação da natureza.


normalmente, eu não me acho nada

mas me sinto em boa companhia

nem um pouco sufocado

diante de uma obra artística

ou memoriais que me descrevem os cálculos

na construção de uma hidroelétrica;

que colocam um satélite em órbita;

criam uma máquina que enxergue o átomo;

encontram a cura para um mal incurável;

ou nos fazem viver imersos num mundo virtual

- esse nosso paraíso ansiosamente recriado


mas choca-me,

na mesma proporção,

como pode alguém tão avançado

consentir que haja fome, guerras... miséria:

resultado de políticas estupidas

conduzidas por humanos estupidos?


sou imperfeito

e nessa minha imperfeição

sigo o mantra

de mesmo sendo pouco

sou o melhor de mim

em constante movimento


 

sábado, 11 de julho de 2026

em tempos de copa

 

Gemini Google



um velho poeta de boteco

amigo meu disse:

não cuspo diamantes

tampouco falo bosta,

ao que refleti

existem palavras

que fazem bem esse meio de campo

e expressões que conhecem o caminho do gol”

 

e o velho poeta de boteco

lança em profundidade a noite:

quando foi a última vez

que trocaste uma ideia

jogaste conversa fora

falaste groselha

desenhaste o vento

esculpiste o silêncio

inventaste estrelas

choraste o mar…?


o bar estava cheio,

gritos, buzinas… gol!



 

sábado, 4 de julho de 2026

bexigas coloridas

 

Google Gemini



ando...

adiante uma estrada

curvas, obstáculos,

subidas, descidas

ando

mas não me movo


olho para as margens:

o mundo passa

se sucedem fatos

eras se sucedem

no interior

de aparelhos televisivos


inútil andar

vejo tudo fora/dentro

de mim

no palco de um teatro

ocupado por poltronas vazias


espectadores invisíveis

suspiram e aplaudem

cada tentativa minha

de movimento... sinto

que eles sentem meu esforço


tento alcançá-los

mas bexigas coloridas

(houve/haveria uma festa?)

dançam entre meus passos

pisoteio algumas

estouro outras…


não alcanço o desfecho

não finalizo o ato

desagradeço as palmas

e saio do teatro

- pela primeira vez me movo



 

sábado, 27 de junho de 2026

comércio de lágrimas

 

Grok


um erro, um desacerto

uma fatalidade, um desastre natural

uma perda irreparável

uma ofensa, uma pancada no ego

e lá vem solícita a tristeza

esticar-se na nossa rede…


logo a sugadora

(carrancuda de dentes serrilhados)

grita - quero um cafezinho

para esquentar meu peito

árido, habitado de rancor

e desemparo...


e o dia se faz noite,

enquanto o breu nos abraça

nos privando de uma réstia de luz

(alívio pro nosso coração travado),

ouvimos martelar

quase que a tocar

maternal

o nosso ombro

longínqua lucidez:

- porque há gente

que se alegra com a tristeza

e fatura alto

no comércio de lágrimas?


 

sábado, 13 de junho de 2026

orelha flutuante

 

Google Gemini


ouço falarem das estrelas, galáxias, aglomerados

da radiação de fundo, velocidade da luz,

da gravidade, dos buracos brancos e negros

da matéria escura e do universo em expansão

ouço falarem de multi-universos

e também de um universo

onde sou o inverso de mim mesmo

ou até de um onde não me reconheço

nem sei quem sou

e de um onde não ouço nada

 

ouço falarem dos planetas,

da zona de conforto em torno de estrelas

da vida, da morte

ouço falarem dos minúsculos e pequenos animais,

dos grandes animais, de todos os que foram extintos

ou estão em fase de


ouço falarem de humanos,

seus engenhos, suas conquistas, seus fracassos

seus amores, dessabores, utopias, estupidez

ouço falarem de muitas teorias,

de filosofias, de religiões, de crenças, de lendas

de mitos, fábulas e civilizações…

ouço falarem de bactérias, vírus, amebas e protozoários

ouço falarem do mundo quântico,

do infinitamente pequeno

semelhante ao infinitamente grande


ouço falarem de poetas, dramaturgos,

pintores, escultores, dançarinos, músicos, cantores

de gente performática e seus dilemas morais

ouço falarem de geopolítica

de guerras comerciais

de imperialismo e hegemonia

de um mundo multipolar

de ambições políticas e interesses pessoais


ouço falarem de oferta, demanda,

abundância e escassez

de liberdade, igualdade e fraternidade

da fatalidade das coisas, de destino inexorável,

do é assim porque é assim

do que foi sempre será


ouço falarem de mentiras, farsas e vilanias

ouço falarem do horror, da tortura, do terror,

do choro dos inocentes e das gargalhadas dos farsantes

ouço falarem do apocalipse, da salvação

do fim do mundo e do reinado da justiça

e do cumprimento de uma profecia


- ouço falarem que tudo se transforma

que da poeira das estrelas nada se perde...


mas, e quanto a mim

o que sou diante de tudo isto,

serei para sempre

uma orelha flutuante – no vazio?


 


sábado, 30 de maio de 2026

mudança de paradigma

 

Google Gemini



não, não me venham falar de sereias

monstro do lago ness, papai noel

loira do banheiro…

meu estoque de besteiras

saturou

distrações e sandices

estouraram

meu saco de risadas


chega de abuso,

minha ignorância anseia por sanidade

razão prática, silêncio instrutor e

que meu gesto fique melhor

antes que o próximo dilúvio acabe

com o mundo das coisas que valem a pena


aguardo a confirmação

da 5ª série no horário nobre da grade de humor

das televisões do mundo -

a ingenuidade e, principalmente,

a ausência de malícia

ocupará o lugar que lhe é próprio

 

e que os agentes policiais

nem senhoras protetoras da moral e dos bons costumes

parem de me julgar

mas aceito papear com os desconfiados de si mesmos

onde, brincando na chuva, rirei de mim


 


 

sábado, 16 de maio de 2026

processo

 

Google Gemini



as coisas melhoraram!

tecnologia e coisa e tal…


nós humanos alcançamos algo inimaginável

antes do tempo em que me dei por gente


mas será que, não tendo feito hamonização facial

posso dizer que melhorei?


existem coisas que já fiz,

que atualmente não faria mais

não por covardia mas por compreender

que só existe sentido se for pra melhor


devo ter melhorado, sim

mas por favor, não me apliquem os mesmos testes

- posso agir por impulso e repetir o passado


minha memória seletiva, tão fraca

(esqueci de trocar as pilhas)

inviabiliza o desejo de dignificar o fim deste poema


no entando, desafio a própria lógica:

acordo todo dia,

dentro de um sonho ininterrupto,

não pergunto nada

não desejo nada

no entanto, cá estou

dizendo que não direi basta

afinal, creio que aquilo

que mata de verdade

é morrer e continuar vivendo


 

sábado, 9 de maio de 2026

precária trincheira

 

Google Gemini


o jovem, no aconchego do ipad,

levanta desencantado os olhos

e balbucia: envelheci, oh

quanto desprezo combina

com o medo da polícia

entranhado… velho,

a mastigar dores e mágoas,

descobre surrado

que sua é a rua suja

e lamenta: o folego talvez não alcance

a falta de entusiasmo

do futuro deixado à beira

mesmo que a corrida continue -

o bastão precisa seguir adiante

mas… não se olham, jovem e velho

estranhados, não partilham

da precária trincheira

e se comprasse um novo celular

sair por aí... influenciar?

(seria apenas uma rima

jamais uma solução)

- melhor ficar em casa, diz o jovem,

banho tomado, cabelo penteado, terno de linho engomado...

- a rua é o meu lugar, completa o velho

bolso furado, desgrenhado, amassado, esquecido...


 

sábado, 25 de abril de 2026

inventário do pó


Google Gemini


sei do raro gás o segredo e o nó

mas para criar água me queimo:

unir o sopro ao fôlego da vida

explode em fogo a mão atrevida


na cidade, carcaça de metal e pressa

(onde o aço range sonho de extinção), 

o automóvel e as grades adornam

a cela da minha inóspita e amada solidão


no asfalto, trafego vaidosos espelhos

catedrais de luxo desumano

que sugam o sangue da eletricidade

enquanto o deserto reclama seu plano


de mim cobram ouro, brilho, apogeu

como se a chama em surto final

fosse a saúde daquilo que ainda vive

no espasmo do curto-circuito fatal


vendem-me tudo em parcelas risonhas

mas cospem no sábio que observa a brasa

preferem a ilusão do instante bento

ao seguro teto da reconstruída casa


filtro o mar com fúria e descrença

em busca de um gole de paz e luz,

mas o que sobra da bacia imensa

é puro sal que me humilha e reduz


interditei meu pais, o rio, a floresta - 

velhos gagás que nunca tiveram juízo

esqueço a salmoura que no fundo resta:

resíduo amargo do meu eterno prejuízo. 



sábado, 18 de abril de 2026

imã de geladeira

 

Google Gemini



emagrecer

fazer limpeza de pele

botar ordem no intestino

parar de tomar tanto remédio

fazer exercícios físicos

viajar de navio

olhar as estrelas

plantar uma árvore

visitar a China

escrever um romance

dirigir um filme

e só depois por fim morrer


 

sábado, 11 de abril de 2026

experiência pontual

 

Google Gemini


ponto de partida

ponto de ônibus

ponto no jogo

ponto de costura

ponto cruz

ponto da fervura

ponto pacífico


carne ao ponto


ponto fraco

ponto de fuga

ponto de taxi

ponto de encontro

ponto comercial

ponto de vista

ponto da aula


relógio de ponto


ponto de umbanda

ponto teatral

ponto e vírgula

ponto de interrogação

ponto de exclamação

ponto cego

ponto de luz


dois pontos


ponto de equilíbrio

ponto de apoio

ponto eletrônico

ponto de observação

ponto morto

ponto de virada

ponto de chegada


ponto final



sábado, 4 de abril de 2026

transição...

 

Google Gemini


(o dia em que deixei de ser criança

o dia em que, pela primeira vez, o adulto em mim, se mostrou

o dia em que a criança em mim teve que dar passagem ao adulto

o dia em que o adulto e a criança não se reconheceram um no outro


esse dia estranho não existe

esse dia não é

esse dia é uma invenção

busca tornar-se realidade

eis que a criança mostra seu olhar, seu sentir

o adulto os calos das suas mãos

sem violência é este confronto

para extrair sentido da lembrança

desse não-acontecido


esse dia

pois é...

esse dia não é meu

talvez não seja de ninguém

mas foi um dia sim

qualquer um pode afirmar:

seria bom construir

o drama daquele momento

daquele encontro interior

onde o espanto

teve que curar feridas

sem deixar cicatriz)


veio de um estalo

no olhar de Clarice

na última fala pública

ali, enxerguei no vácuo

a criança que não se foi

o adulto que não se apaga:

o drama de dois estranhos

assinando, em silêncio

um tratado de paz

para que o corpo, enfim,

se mantenha inteiro


 

sábado, 28 de março de 2026

três tempos

 

Google Gemini



cedo,

aprendi que bastava chorar

para o mundo se mover

e satisfazer minha vontade


logo, servo de mim,

sempre que a gana surgia

eu próprio corria

para satisfazê-la


agora,

quando arde o desejo

a consumir este corpo que lembra

me ponho a imaginar… e sonhar