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sábado, 19 de março de 2022

era uma vez quando me fizeste feliz

 

The Dream, Henri Rousseau, 1910




aguarde amor que volto ali ao sonho

para seguir adiante dos fantasmas

a enfrentar meu mais profundo medo…


devo alcançar sejas tu quem sejas

 - brinquemos juntos

e que rias de mim

que rias comigo, que fujas

que não facilites, que não cedas

à minha ansiedade, minha despreparo

meu despropósito…


ah, o desafio de vir a ser…


se acaso, por bondade

(quem sabe prazer ou petulância)

vieres a me ofertar o teu amor

que seja por descompromisso

(amanhã não saberei de mim, quanto menos de nós)

e mesmo que digas espero te ver outra vez

sei da impossibilidade de um castelo

que te guarde à minha espera…

por isto, eis que parto, pois é preciso que eu parta

a carregar esta ilusão – tua lembrança, este sonho...

 

me resta presente

fazer o caminho de volta

a ti, que me deste um momento

 instante feliz

e no caminho, insisto: que tal 

entre tantos poemas possíveis, reviver amor?!


 

sábado, 12 de fevereiro de 2022

amor e alma

 

Love and Psyche, Henrik Siemiradzki, 1894




o amor nada tem de silencioso

senhor

o amor é ruidoso

qual sinfonia do amanhecer

onde a natureza

e o engenho humano,

celebram o milagre da vida…


o amor é barulhento, nervoso

diga-nos o amante,

incontido,

que quer que todos saibam

da sua alegria e prazer

quando a paixão começa

e do seu desespero e mágoa

assim que o amor acaba


diante dessa travessa divindade

apenas os descrentes,

ignorantes da agonia gozosa da vida,

silenciam – tão pobres e frios,

insensíveis à centelha

que faz arder desígnios buliçosos

em nossa decantada alma



sábado, 1 de janeiro de 2022

controverso

 

Palhaço Insano, Banksy, 2001




ô lindinha…

por mais que te ame

(e me ocorre amar-te tanto)

difícil trazer à tona

aquilo que protejo

do meu desatino


se

a tempos destruí

o castelo de cartas que nos abrigou,

difícil desisti tão fácil

de mendigar as migalhas que restam

de um amor outrora promissor


mas, por favor, não me coloques à prova

não me humilhes

que imaturo choro

e me acabo no ciúme -

esse patíbulo dos insanos


ontem quis te esquecer

hoje fiz de tudo

para não me punir… e doeu.



sábado, 25 de dezembro de 2021

instante 44

 

Seaside, Kristoffer Zetterstrand, 2005



não me sinto mais aqui

parte de mim já partiu


o chão sob os meus pés

ondula macio, mergulho

para não incomodar o silêncio


me vou:

adiante, a ilha

(devo nascer ainda lá

embora quase não exista mais aqui)


sigo onde me aguarda

o caminho que esqueci


- preciso recordar

o amor que descobri


 

sábado, 15 de maio de 2021

segredos gozosos III

 

Os Amantes, Rene Magritte, 1928




- sob o luar

tua mão e tua boca

estremecem o céu


- a chama

na ponta dos dedos:

na língua a recusa

do verso final


- o êxtase beija a rosa

afogado num vulcão

eis que o amor vira fome


- a rosa de pétalas doces

esqueceu dos espinhos e gemeu

sob o aroma de mil jardins


- trêmulas, mãos adormecem

entre canteiros de plânctons

que sacralizam aquela alcova



sábado, 8 de maio de 2021

segredos gozosos II

 

King Pleasure, Jean-Michel Basquiat, 1987




- o beijo não devora:

apenas alcança

as bordas do arrepio


- após um banho de mar

o sal eriça a alma:

minha língua em teu corpo


- que teus seios me tirem o ar

pois hei de ressuscitar

na cava do teu umbigo


que ciências, aventuras

e mistérios te ensinaram

cavalgar, amazona?


- viro chuva e orvalho

na tua flor de laranjeira...

sereno, inundo tua varanda

sob o ciumento olho do luar



sábado, 1 de maio de 2021

segredos gozosos I

 

The Pleasure Principle, Rene Magritte, 1937


- a chama que me acende

é tua lembrança perene:

asas roçadas do desejo


- um anjo torto

me ensinou a rezar

tal qual um gozo


- na taça do teu umbigo

sorvo o vinho que me inicia

nos mistérios da criação


- mais tesão:

no teu corpo molhado

um vestido nu


- tuas coxas sob o vestido

na foto proclamam

meu desespero...



sábado, 19 de dezembro de 2020

reticências de amor perfeito

 

Bouquet with flying lovers, Marc Chagall, 1947




o sol descansou

estrelas desabrocharam

hora do beija-flor…


chegou refém de roupas cansadas

enquanto ela ainda botava as crianças para dormir


banhou-se de jasmim… vestiu

o sarongue que ganhara no natal

e foi saudar os frutos da estação

expostos na esteira no centro da sala


em meio aos cochichos dele, ela sussurrou:

- (ah, teu cheiro)… perfumei…

(cabocla) meus lábios… (lótus)…

doces de pimenta… (meu jardim)...

espera… o luar suplica uma dança na varanda


na ilha encantada

existem dias

e muitas madrugadas a percorrer

corpos

e este poema a descobrir trilhas...


é apenas vida,

uma promessa a se cumprir…