Mostrando postagens com marcador Alegria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alegria. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de abril de 2022

pétalas e plumas

 

The Spring, Walter Crane, 1883




Sim! Sou um poeta e sobre minha tumba
Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas”

Ezra Pound, E Assim em Nínive





sou poeta,

bebo vinho,

saúdo a vida

e clamo a ti, fulana:

quando eu morrer

espalhe pétalas e plumas sobre a terra

para aqueles que ainda caminham

pisem suave

sobre o efêmero lar


 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

ode à tristeza

 

The Captive Slave, John Simpson, 1827




Tire seu sorriso do caminho

que quero passar com minha dor”

Nelson Cavaquinho, A Flor e o Espinho




ouça, amiga, a poesia é triste…

justifica, atenua 

legitima a dor... 

sente a causa

quem sente a tristeza do mundo


evoco Rubens Alves e sua epifania

(no conto “ensinando a tristeza”,

inspirado no Eclesiastes 7:3 e,

principalmente, pela observação

que lhe faz uma neta entendida de compaixão):

aquele alegrinho

que está o tempo todo esbanjando alegria

dizendo e querendo ouvir

coisas engraçadinhas

é um flagelo… perto deste

perdemos a liberdade de ser triste”


pois é, o alegrinho é um aleijão empático,

solidário apenas consigo mesmo...


desconhecido da compaixão,

resta a este alienado narciso

reivindicar

        atrevido e irresponsável,

que a sua alegria nos seja a prova dos nove:

        ilegítima pretensão.


é que faltou-lhe perceber que a alegria

não brota da vontade

de um movimento individual da vontade…


- a alegria, poetas

é filha dileta da dor!