sábado, 25 de abril de 2026

inventário do pó


Google Gemini


sei do raro gás o segredo e o nó

mas para criar água me queimo:

unir o sopro ao fôlego da vida

explode em fogo a mão atrevida


na cidade, carcaça de metal e pressa

(onde o aço range sonho de extinção), 

o automóvel e as grades adornam

a cela da minha inóspita e amada solidão


no asfalto, trafego vaidosos espelhos

catedrais de luxo desumano

que sugam o sangue da eletricidade

enquanto o deserto reclama seu plano


de mim cobram ouro, brilho, apogeu

como se a chama em surto final

fosse a saúde daquilo que ainda vive

no espasmo do curto-circuito fatal


vendem-me tudo em parcelas risonhas

mas cospem no sábio que observa a brasa

preferem a ilusão do instante bento

ao seguro teto da reconstruída casa


filtro o mar com fúria e descrença

em busca de um gole de paz e luz,

mas o que sobra da bacia imensa

é puro sal que me humilha e reduz


interditei meu pais, o rio, a floresta - 

velhos gagás que nunca tiveram juízo

esqueço a salmoura que no fundo resta:

resíduo amargo do meu eterno prejuízo. 



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