sei do raro gás o segredo e o nó
mas para criar água me queimo:
unir o sopro ao fôlego da vida
explode em fogo a mão atrevida
na cidade, carcaça de metal e pressa
(onde o aço range sonho de extinção),
o automóvel e as grades adornam
a cela da minha inóspita e amada solidão
no asfalto, trafego vaidosos espelhos
catedrais de luxo desumano
que sugam o sangue da eletricidade
enquanto o deserto reclama seu plano
de mim cobram ouro, brilho, apogeu
como se a chama em surto final
fosse a saúde daquilo que ainda vive
no espasmo do curto-circuito fatal
vendem-me tudo em parcelas risonhas
mas cospem no sábio que observa a brasa
preferem a ilusão do instante bento
ao seguro teto da reconstruída casa
filtro o mar com fúria e descrença
em busca de um gole de paz e luz,
mas o que sobra da bacia imensa
é puro sal que me humilha e reduz
interditei meu pais, o rio, a floresta -
velhos gagás que nunca tiveram juízo
esqueço a salmoura que no fundo resta:
resíduo amargo do meu eterno prejuízo.
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