sábado, 18 de maio de 2024

meu vizinho me odeia

 

Fallen Angel (detalhe), Alexandre Cabanel, 1846



meu vizinho me odeia

odeia meu churrasco

minha pelada aos domingos

minhas reuniões de família

os filhos que tenho

a mulher que amo

meu sono e o meu silêncio

meu vizinho odeia


meu vizinho odeia

as piadas que conto

o remédio que tomo

as risadas que dou

o time que torço

os comentários que faço

a cerveja que bebo

o ritmo que’u danço


meu vizinho odeia

quando chego

quando saio

quando vejo tv

quando danço

quando leio

quando oro

odeia até quando choro


meu vizinho me odeia,

odeia tanto

que vive trancado

e morre de medo

quando passo

e odeia mais quando ouso

sorrir para os seus olhos

miúdos, cerrados e peludos


 

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