sábado, 1 de julho de 2023

tempestade e bonança

 

A Tempestade, Ivan Konstantinovich Aivazovskii, 1899


tempestade à frente

sigo...

(ou talvez seja ela

que vem até mim)

nesse barco - casa frágil

de olho no horizonte

temporário

a interrogar nuvens mudas e

o jardim bonito...

 

suor e neblina

banham meu rosto... nada a ouvir

além do vai-e-vem derramado

sem hora de parar, estando...

 

cadê o sol que iluminava

os pacientes coqueiros

e dissipava a espera

em lúdicos instantes?

 

dizem que passageira é a estação

(tal qual a dor que me açoita

em pleno são joão)

diante do embate, estremeço

(clamo adiante das brumas

a ilha que antevejo)

e aguardo dos teus lábios 

o anúncio deste teu beijo


 


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