sábado, 23 de março de 2019

estranhezas


How Strange a Thing to Be What Man Can Know but as a Sacred Secret, 
Byam Shaw, 1911




cheio de saudade
cultivo
lentos passos peregrinos
animado de infinitas pegadas…

eis que trago os olhos fixos nas horas
e nessa ânsia de tempo
futuro
extraio os dentes do desejo
antes que me mastiguem
a alma repleta
de lonjuras e desconfianças

cheio de brevidades
clamo
ó vulto salpicado de estrelas
minha Maíra
- tu, dos meus sonhos apaixonados
fertilizes este meu tema repleto de abismos
e que nos teus beijos largos, doces e amigos
a febre seja superada
e a inesperada meta
da desmentira
vivifique tudo que mereça primaverar
finalmente

é que nessa minha alma tão minúscula
e humana
viro mexo pinto e bordo
que nem se as coisas fossem eternas
inesgotáveis
e acessíveis à mão
tal que se a capacidade do traço
alcançasse
o grafite bem além do lápis
essa partícula que
com seus segredos de órbitas desdobradas
em seu inocente pudor
acabasse por des-tornar fácil
a malícia
de toda e qualquer compreensão

perdoa, minha linda
se exprimo tamanha pressa
é que, grave
ainda não sei despertar
antes que pense tais coisiquinhas...
estranhezas de provar o segredo sagrado
do dia/noite que advir



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