sábado, 17 de junho de 2023

foi Mainha quem me deu

 

O abraço de amor do universo, Frida Kahlo, 1949



o sol, a brisa
a praia e o mar
foi Mainha quem me deu

o sossego, a calma
a perspectiva da tarde
a noite e seu imponderável
foi Mainha quem me deu

o verde que surpreende
a chuva que refresca
os mosquitos que incomodam
e estas noites suarentas
foi Mainha quem me deu

o que seria de mim
se tudo que encanta
e aconchega
Mainha não houvesse sido?...

(e pensar que um dia
pela pisa que levei
imaginei matar Mainha)



sábado, 10 de junho de 2023

amor no ar


O beijo, Gustav Klimt, 1908



flagrei, na praia, um casal de pombos

a arrulharem desejos

entre uma bicada e outra


se escrevesse

"dois pombinhos se pegam na praia"

longe de ser uma manchete sensacionalista

seria uma homenagem à sincronicidade

pois, a dois passos de mim

coincidentemente

um casal de pombinhos

entre um amasso e outro

bicavam uma cerveja




sábado, 3 de junho de 2023

o mar que fascina

Figure at a window, Salvador Dali, 1925

 

que há com o mar

que fascina?

 

fenícios gregos portugueses

se tornaram familiares do mar

e saíram em busca do paraíso

que sonhavam encontrar em vida


os povos do Pacífico

conhecedores das funduras e larguras

do mar sem fim

permaneceram fieis

à ideia líquida de fluir no ritmo

transparente das águas

que incitam calmarias e tempestades


quanto a nós, ilhéus

familiares quanto antes

por lei não escrita

deixamos que nos fascine o mar

 

por força da evolução

é na terra que moramos

mas o mar

irmão do inconsciente

é a fonte adjunta

dos nossos férteis sonhos